O diretor Walter Salles participa da Berlinale

A exibição de Redentor, na quinta-feira à noite, abrindo a seleção oficial dos 20 anos da seção Panorama do 55.º Festival Internacional de Berlim, contou com o prestígio de Walter Salles. O diretor que venceu o Urso de Ouro com Central do Brasil participa de um dos eventos paralelos do festival, o Talent Campus, que reúne novos diretores e veteranos de 90 países. Salles terá um debate na semana que vem. Inicialmente, era para ser com Antônio Pinto, compositor de seus filmes, mas ele não pôde comparecer e será substituído por Mike Figgis, diretor que costuma compor a música de seus filmes. Elegantíssimo, Walter Salles está em Berlim, procedente de Londres, onde Diários de Motocicleta ganhou da crítica o prêmio para o melhor filme estrangeiro. "Foi uma bela cerimônia", diz Salles. "O Ken Loach foi homenageado por sua carreira e fez um discurso magnífico, comparando a violência dos filmes de Hollywood com a do Exército norte-americano. Em pleno território dos críticos, ele estranhou, com muita fineza e classe, que os críticos não se dêem conta disso ou analisem o fato."Mas a exibição de Redentor virou uma reunião de família, com a presença dos pais do diretor, Com Cláudio Torres e Fernanda Montenegro. Ela tem status de estrela na Berlinale. É cumprimentada na rua, aplaudida onde quer que apareça. A filha do ilustre casal e irmã do diretor, Fernanda Torres, também estava lá. Ela é co-roteirista de Redentor. Diz que é uma alegria estar num festival como o de Berlim sem o estresse da competição. Com ela estava o marido, o cineasta Andrucha Waddington, que confessa - está muito satisfeito com seu novo filme, Casa de Areia. "Cara, saiu melhor do que imaginava", diz. O filme estréia em maio, no Brasil. Andrucha vai tentar uma ida para Cannes, onde Eu Tu Eles foi bem recebido, há três anos.Claudio Torres aproveita a exibição do filme em Berlim para promover o DVD, que está chegando às locadoras e lojas especializadas. "Tem um extra muito interessante, um making of que eu mesmo fiz, mas não assino. Acho que expressa o que foi o processo de criação de Redentor. Tem em torno de 15 minutos. E o que eu acho legal, não é por ser meu, é o humor. O making of é muito bem humorado." Justamente, o humor. Cláudio Torres diz que sua maior emoção na Berlinale foi ver o público rir e se emocionar na hora certa. "Trabalhar nos registros da comédia e do drama é sempre um risco, mas eles entenderam. E isso é muito gratificante."

Agencia Estado,

11 de fevereiro de 2005 | 16h28

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