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O diretor Brad Bird cria mundo intimista em 'Tomorrowland'

Após realizar animações como ‘Ratatouille’, ele está no comando da ficção científica protagonizada por George Clooney

Mariane Morisawa / Los Angeles, Especial para O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 03h00

Diretor das animações Ratatouille e Os Incríveis e do longa Missão Impossível: Protocolo Fantasma, Brad Bird agora comanda Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível, ficção científica que estreia nesta quinta-feira, 4, e conta a história de Casey, uma adolescente interessada em ciência.

Ela encontra uma invenção criada por Frank Walker, ex-garoto prodígio vivido por George Clooney, que pode levá-la a uma realidade paralela. Ao Estado, Bird fala sobre otimismo e Hollywood:

Você é otimista em relação ao futuro?

Tenho um verniz de cinismo, mas não é uma camada muito espessa. Sou um otimista no fundo. 

O que torna você otimista hoje em dia? 

Tem a ver com o que é real e o que é percepção. Cem anos atrás, se alguém enlouquecesse e matasse sua família numa cidadezinha num país distante, você jamais saberia. Hoje em dia, a mídia está tão conectada que você descobre isso e muitas outras coisas em poucas horas. As más notícias são uma erva daninha da informação. O ódio é mais rápido que o amor. Mas o amor vence com o tempo. Acho que isso é verdade em relação à percepção positiva. Ela não é tão rápida. Se alguém te deixa bravo, é mais fácil dar um soco do que tentar entendê-lo. Mas dar um soco não leva a nada. Acho que estamos perdendo paciência em cultivar nosso pior lado. No nosso país, odiamos nosso Congresso: eles brigam, enrolam, não resolvem nada. Continuamos reelegendo essas pessoas. Então, temos culpa. Mas gosto de pensar que estamos perdendo a paciência com essa gente e vamos escolher pessoas que realmente possam trabalhar juntas, em vez de apenas gritar umas com as outras. O Congresso que temos é um exemplo de gente que só sabe brigar e não faz nada em nosso nome. Precisamos rejeitar esse pensamento e tomar controle das coisas novamente. Gostaria de pensar que a mesma mídia eletrônica que traz más notícias também pode juntar nossas forças para o bem. 

Parece estar acontecendo ao redor do mundo? 

Sim, em coisas como a chamada Primavera Árabe funcionou por um momento. Mas agora precisa continuar funcionando. Mas certamente mostrou como é potente. Uma boa ideia é sempre mais forte que uma má ideia, mas uma boa ideia leva mais tempo para ter resultados. Precisamos ser mais poderosos e pacientes.

Um filme como 'Tomorrowland' pode ajudar a mudar as coisas?

Pode ajudar, com certeza. Não vou me enganar: sei que foi feito majoritariamente para ser um bom passatempo. É uma história. Mas, se ela pode nos ajudar a imaginar um novo cenário ou nos colocar na pele de outras pessoas, perfeito. É por isso que amo contar histórias. 

Hoje em dia há muitos filmes sobre um futuro apocalíptico, distópico. No fim, acredita que esses filmes podem ajudar a construir um clima pessimista?

Sim, é como uma profecia que se autoconcretiza. Toda a mídia, seja filmes, livros, músicas, reflete os tempos em que é criada. Mas também pode refletir um desejo por algo diferente. A arte, o cinema e a música podem ser uma força do bem, certamente. 

Nos anos 1960, havia essa ideia do futuro grandioso e maravilhoso. Por que ela se perdeu, na sua opinião?

Não tenho certeza de que tenha acontecido nada específico. Comparo com o cozimento de uma lagosta: primeiro você a coloca na água fria para depois ir aquecendo aos poucos, de modo que ela nunca percebe o que está acontecendo. De certa forma, esse negativismo foi chegando aos poucos, sorrateiramente, e não o notamos. Acho que percebê-lo é importante para saber se queremos viver nesse mundo ou se queremos outro mundo. Se decidirmos que queremos um mundo diferente, é um primeiro passo para torná-lo possível.

Qual a importância, então, de ter George Clooney neste filme?

É importante ter bons atores, sejam ou não famosos. George é um ator fantástico. Certamente, o fato de ele ser tão conhecido é uma vantagem para o filme. Mas não funciona simplesmente contratar astros. Temos George Clooney e Hugh Laurie, que são atores conhecidos, mas também Britt Robertson e Raffey Cassidy, que são caras novas e estão maravilhosas. O mais importante é ter pessoas que chamam sua atenção e fazem com que você queira assisti-las.

 

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