O Dilúvio tem exibição especial em SP

Ursula Groszka e Lia Vissotto conheceram-se em Manaus, quando acompanhavam Roman Polanski, que veio ao Brasil para mostrar, no Festival da Amazônia, seu filme Oliver Twist. Lia possui a assessoria Cinnamon, que serve à Sony, detentora da marca Columbia. Ursula possui uma empresa, a Ursula Groszka Produções, que tem estado por trás de todas as iniciativas recentes destinadas a promover a cultura polonesa, leia-se preferencialmente o cinema polonês, no País. Juntas elas trazem agora ao Brasil o cineasta Jerzy Hoffman. Ele chega para acompanhar, hoje, no CineSesc, as exibições de seu longa O Dilúvio, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro de 1974, perdendo a estatueta dourada para Amarcord, de Federico Fellini. O Dilúvio é a segunda parte da trilogia A Ferro e Fogo, do escritor polonês Henryk Sienkiwicz, vencedor do Nobel e popularizado, em todo mundo, como autor de Quo Vadis?, fantasia histórica filmada por Hollywood no começo dos anos 1950. Embora menos conhecido do que Polanski ou Andrzej Wajda, Hoffman é um dos mais prestigiados diretores da Polônia. E O Dilúvio detém, até hoje, mais de 30 anos depois, o recorde de público do cinema no país, somando à consagração popular a da crítica, que tem esse épico histórico em alta conta. Antecipando seu desembarque em São Paulo, o cineasta concedeu uma entrevista ao Estado .Sobre a entrevista Qual é a herança, ou a importância, do cinema polonês dos anos de ouro? Em 1956, a Hungria e a Polônia tentaram escapar da dominação da União Soviética. O resultado foi uma intervenção das forças soviéticas na Hungria e a consolidação dos comunistas no poder na Polônia, onde, até bem pouco tempo antes, as atividades do Partido Comunista eram penalizadas com a morte. Essa primeira fase muito dura foi seguida por um período de relativa indulgência, que foi usado na realização de documentários. Edward Skorzewski e eu fizemos um documentário curto, Atenção, Hooligans!, que fez sensação de crítica. Foi o início de uma fase muito rica do documentário polonês que revelou todos os problemas sociais do país. Assuntos como alcoolismo, prostituição e pobreza eram tabus no regime comunista e nós os colocamos naqueles filmes. Simultaneamente, na ficção, Wajda, Kawaleriwicz e Andrzej Munk, mais tarde Polanski, começaram a mostrar o passado proibido por meio de histórias humanas, sobre escolhas morais. Creio que essa maneira de observar a complexidade da natureza humana e de mostrar os conflitos morais e psicológicos foi a grande característica do cinema polonês daquela época que serve como lição para os cineastas de hoje.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.