O Codigo Da Vinci, o filme, está dando o que falar

O Código Da Vinci, o filme, está dando o que falar, com estréia mundial prevista para sexta-feira, dia 19. Baseado no livro homônimo do escritor Dan Brown, o filme causa reações pelo mundo todo, pois defende a versão de que Jesus casou-se com Maria Madalena e que sua descendência chegou a nossos dias, protegida por uma poderosa sociedade secreta, e que a Igreja procurou esconder a verdade sobre a vida do Salvador. A pré-estréia mundial acontece no dia 17, na abertura da 59.ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Até ontem, no Brasil, mais de 2 mil ingressos antecipados já haviam sido vendidos pela web, por meio do site www.ingresso.com.br. Por outro lado, os católicos brasileiros já foram advertidos pela CNBB par não assistirem ao filme. No dia 12 de abril, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, fez sua advertência considerando que o filme apresenta "uma imagem distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos". O deputado Salvador Zimbaldi (PSB-SP) está travando uma guerra contra a exibição do filme, depois de ter uma medida cautelar recusada na 2.ª Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro. O deputado recorrerá ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O advogado de Zimbaldi, Affonso Pinheiro, disse hoje que estava preparando a apelação a ser apresentada nos próximos dias, com pedido de liminar para impedir a exibição. Aqui, como no resto do mundo, os protestos crescem a cada dia em que se aproxima a data da estréia do filme. As Ilhas Faroe, território autônomo pertencente à Dinamarca, com cerca de 50 mil habitantes, recusam-se a exibir o filme, que consideraram blasfemo. "Decidimos proibir o filme por ser blasfemo. Quando perguntamos à distribuidora Nordisk se o conteúdo correspondia ao do livro e aresposta foi positiva, decidimos que ele não seria exibido nasFaroe", disse Jákup Eli Jacobsen, proprietário de um dos doiscinemas do arquipélago, em entrevista ao jornal local Sosialurin. O ministro da Presidência filipino, Eduardo Ermida, disse hoje que corresponde ao escritório de censura decidir se o polêmico filme pode ser projetado no país, mas afirmou que sua opinião pessoal é de que é "blasfemo" e deve ser proibido. "Depende do Birô de Revisão e Classificação de Cinema e Televisão (MTRCB), mas, como bom católico, e esta é minha opinião pessoal, não vejo como uma nação católica pode tolerar que essa trama seja propagada em nome da liberdade de expressão", disse.A Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), movimento separatista filipino, apoiou a intenção do Governo das Filipinas de censurar a exibição de O Código Da Vinci. Curioso, é que o movimento rebelde luta para estabelecer um Estado islâmico no sul do país, onde a maioria da população é muçulmana. Khaled Moussa, vice-porta-voz da FMLI, disse em comunicado que o filme de Ron Howard pode promover a "falta de religiosidade" na maioria católica do país. Curiosamente, o Reino Unido censura apenas a trilha sonora e os efeitos especiais de O Código Da Vinci. Segundo informou o jornal The Sunday Telegraph, o conselho que classifica os filmes se recusou inicialmente a conceder à adaptação cinematográfica do best-seller de Dan Brown o certificado 12A (para crianças com menos de 12 anos acompanhadas). A justificativa do British Board of Film Classification (Conselho Britânico para a Classificação de Filmes) à produtora Sony foi que a música era muito tensa para as crianças menores e que os níveis sonoros acentuavam a violência.No México, onde a estréia há quatro anos do filme O Crime do Padre Amaro, com Gael García Bernal, provocou uma dura reação do clero mexicano e de bispos que chegaram a pedir sua proibição, por contar uma história que se passa no país sobre um padre que engravida uma jovem e a obriga a abortar, agora revê suas posições. Um porta-voz da Igreja Católica na cidade central de Querétaro defendeu aqueles que querem ver o O Código Da Vinci, por considerar que a proibição leva mais gente ao cinema, como ocorreu com O Crime do Padre Amaro, que lotou os cinemas mexicanos.Na Índia, católicos fazem greve de fome contra Código Da Vinci. Em Nova Délhi, O Fórum Social Católico (CSF) da Índiaconvocou uma greve de fome por tempo indeterminado a partir desexta-feira, em protesto contra a estréia do filme no país, além de oferecer uma recompensa em dinheiro para quem capturar o escritor Dan Brown - um membro do grupo, Nicholas Almeida, ofereceu quase US$ 25 mil a "quem trouxer Dan Brown morto ou vivo", informou hoje o jornal local Hindustan Times. O CSF considera o livro do americano Dan Brown, que deu origem ao filme, uma obra "anticristã". "Haverá uma lavagem cerebral em massa se o filme for exibido na Índia", opinou secretário-geral do CSF, Joseph Dias.Irlanda. Em Dublin, a associação cristã "Esperança Irlanda", composta por católicos e protestantes, que conta com o respaldo da Igreja da Irlanda (protestante), a Conferencia Episcopal irlandesa e da OpusDei, se queixa da obra de Dan Brown que "ignorou a distinção entre a realidade e a ficção", segundo explicou hoje seu porta-voz, Norella Broderick. "Somos totalmente contra por que rechaçamos a idéia de que Jesus foi casado e suponho que as pessoas temam que esta idéia questione sua divindade", disse Broderick.Cidade do Vaticano - A Opus Dei, atacada e criticada pelo filme norte-americano O Código da Vinci, disse hoje que esta obra divulga o grupo e que ela irá se tornar o "bumerangue para atingir os inimigos da Igreja". O arcebispo espanhol Javier Echeverría, em uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, declarou: "Não iremos boicotá-la".O filme está criando problemas para instituição religiosa fundada pelo espanhol José María Escrivá de Balaguer devido a uma série de fortes alusões ao papel desta organização. O filme faz acusações ao fundador da Opus Dei que mostra como um grupo fundamentalista que é capaz de cometer assassinatos para garantir seus interesses.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 21h16

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