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Cine Ceará tem início com mostra competitiva forte e atraente

Festival promove ainda boa retrospectiva de filmes espanhóis

Luiz Zanin Oricchio , O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 07h00

A 25ª edição Cine Ceará, que se inicia nesta quinta, 18, em Fortaleza, é tida por seu diretor e criador, Wolney Oliveira, como a melhor de toda a história do festival. De fato, mesmo tendo de amargar a defecção de última hora de um dos concorrentes mais esperados, Que Horas Ela Volta, de Anna Muylaert, os títulos remanescentes da mostra competitiva ibero-americana parecem mais que atraentes. 

Há filmes testados e premiados no exterior como O Clube, de Pablo Larraín (Chile), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, Jauja, de Lisandro Alonso (Argentino), participante do Festival de Cannes, e Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa (Portugal), vencedor de dois prêmios em Locarno. 

Além disso, o espanhol Loreak, de Jon Garaño e José Mari Goenaga, Crumbs, de Miguel Llansó (Espanha/Etiópia), NN, de Héctor Galvez (Peru) e A Obra do Século, de Carlos Quintela (Cuba), vem precedidos de boas informações. Pelo Brasil, dois competidores – Real Beleza, de Jorge Furtado, e Cordilheiras no Mar: a Fúria do Fogo Bárbaro, de Geneton Moraes Neto. 

Furtado, autor de vários filmes de ficção (como Saneamento Básico e Meu Tio Matou um Cara, entre outros), também é um bamba do documentário. Seu curta Ilha das Flores, lançado no final dos anos 1980, marcou época e tornou-se influência permanente no cinema brasileiro. 

Há pouco, lançou O Mercado de Notícias, contundente crítica ao jornalismo político contemporâneo, filme estruturado a partir de uma peça de Ben Jonson (século 17). Agora, avisa, parte de fatos reais, mas os trabalha de um ponto de vista ficcional. O tema é a moda e a indústria da beleza, filmada a partir de um concurso de modelos da mesma região que revelou a Übermodel Gisele Bündchen. 

Geneton, repórter da Globonews, também parte de um fato histórico potencialmente polêmico. Durante a ditadura, o diretor Glauber Rocha chamou um dos homens fortes do regime, Golbery do Couto e Silva, de “gênio da raça”. Afirmação que causou profundo mal-estar entre os opositores do regime, condenado pela quase unanimidade da intelligentsia e da classe artística. Geneton procura contextualizar a frase e discutir o ambiente em que ela foi dita. Para que seja, enfim, compreendida, dado o recuo do tempo e a perspectiva que hoje se tem daqueles anos de chumbo. 

Mostra competitiva à parte, o Cine Ceará de 2015 ainda apresenta um trunfo interessante em sua programação – a Mostra dedicada ao cinema da Espanha, país homenageado nesta edição. A retrospectiva relaciona de clássicos como Simão do Deserto, de Luis Buñuel, e O Espírito da Colmeia, de Victor Erice, a títulos recentes como História da Minha Morte, de Albert Serra, vencedor do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Ao todo, são sete longas-metragens e oito curtas a compor este painel do rico cinema espanhol. 

O Cine Ceará ainda tem motivo para comemorar o difícil ano de 2015 – volta, por fim, à sua casa original, o Cine São Luiz, no Largo do Ferreira, no centro da cidade de Fortaleza. 

Foi lá, no antigo cinema, que o festival realizou suas mais inesquecíveis edições. Mas teve de deixar o endereço devido à progressiva degradação da sala. Agora, ela retorna remodelada, após passar por uma reforma radical e completa. 

Esses velhos cinemas dos anos 1940 e 1950 guardam um charme incomparável. Mas precisam de manutenção constante para se manterem à altura das rápidas atualizações tecnológicas contemporâneas. 

Ao que consta, foi o que aconteceu com o cine São Luiz, a exemplo do que se passou com seu “irmão” do Recife, ambos originários da rede cinematográfica Luiz Severiano Ribeiro. 

 

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