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O Belas-Artes Drive-in tem início com ingressos esgotados e novas datas agendadas

Procura foi grande para ver 'Apocalypse Now', 'Cinema Paradiso', 'Laranja Mecânica', 'Mad Max - Estrada da Fúria', 'A Vida É Bela' e outros; projeto terá novas datas em julho, com vendas a partir desta quarta

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2020 | 13h57

Começa a funcionar nesta quarta, 17, o Belas-Artes Drive-in no Memorial da América Latina, uma parceria da empresa distribuidora e exibidora com o centro da cultura latina de São Paulo. Já é um sucesso – todos os ingressos colocados à venda para as quatro semsnas de programação esgotaram-se. Face à demanda, o Belas Artes Drive-in abre agora mais duas semanas, de 14 a 26 de julho, com vendas a partir desta quarta. Os filmes mais procurados dessa primeira etapa terão nova chance, e quem não conseguiu comprar para ver Apocalypse Now, Cinema Paradiso – esse, foi uma loucura -, Laranja Mecânica, Mad Max – Estrada da Fúria, A Vida É Bela, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Pulp Fiction – Tempo de Violência já pode correr ao site de vendas.

Tem sido motivo de reflexão. Ainda havia o célebre drive-in de Brasília, que inclusive inspirou o belo longa de Iberê Carvalho que venceu Gramado em 2015, mas, de maneira geral, esse tipo de sala ao ar livre era um experimento do passado. Com o isolamento em tempos de pandemia, tanto o cinéfilo mais atilado como o público que só vai ao cinema para comer pipoca e tomar refrigerante vendo alguma coisa se mexer na tela – brincadeirinha! - estão ansiosos para sair de casa, para ver filmes na tela grande, para socializar. A flexibilização, em todo o mundo, tem esbarrado em ondas de segundo contágio. Todo cuidado é pouco. A França programou para reabrir suas salas na próxima semana, e talvez tenha de recuar. Aqui, ainda não tem data, mas o drive-in, com toda segurança, pode virar uma opção. Sobreviverá à covid 19?

Pessoas dentro do carro, de máscara, obedecendo a regras de higiene e segurança, tudo nos conformes. Dá para levar a própria pipoca e fazer piquenique - dentro do carro. Toda essa festa (re)começa na noite de quarta com o final cut, a versão final de Apocalypse Now. Desde que surgiu o épico de Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietnã, em 1979, o filme tornou-se objeto de culto. Dividiu a Palma de Ouro em Cannes com O Tambor, de Volker Schlöndorff. Ganhou outra versão do diretor (Apocalypse Now Redux), uma terceira, com o Final Cut, mas ninguém garante que será mesmo a final. Eleanor Coppola, mulher do cineasta, realizou um documentário sobre as filmagens, O Apocalipse de Um Cineasta, e Elaine Showalter fez uma análise (em Anarquia Sexual) que coloca o leitor no verdadeiro coração das trevas.

Coppola baseou-se no livro de Joseph Conrad para contar a história do Capitão Willard, que procura o Coronel Kurtz, que enlouqueceu e agora comanda uma guerra dentro da guerra. Marlon Brando, que faz o papel, aparece no fim e quando as palavras explodem na tela – O horror, o horror -, fornecem o fecho para todo o ensandecimento que o espectador viu. O ataqque de helicópteros ao som de A Cavalgada das Valquírias, o napalm, as coelhinhas da Playboy. Tudo é grande, desmesurado, como a própria guerra que assombrou Coppola, Michael Cimino e Oliver Stone no cinema. Mas Showalter fornece outra narrativa sobre a aventura. Nas Filipinas, que foram o epicentro da produção, Coppola criou um império – o império de um cineasta.

Drogas, prostituição, abuso de mulheres, de crianças, figurantes que eram mercenários. Tudo o que ela conta em seu livro é documentado, mas desafia a compreensão. O horror de uma filmagem insana. Apocalypse Now virou um daqueles filmes míticos. A obsessão de um autor que não se cansa de (re)fazê-lo. Um perpétuo work in progress. E nesta noite, tudo vai (re)começar. As imagens e os sons voltarão. Na quinta, outro louco – no bom sentido -, Caco Ciocler, vai colocar o Brasil inteiro dentro de um ônibus para refletir, em Partida, sobre o país dilacerado que colocou Jair Bolsonaro no poder. Guardadas as proporções, são dois filmes sobre a jornada. O rio, no primeiro, a estrada no segundo. O barco, o ônibus. No fim do caminho, a revelação. O louco Kuertz/Brando, o sábio Pepe Mujica, presidente do Uruguai.

E, claro, os beijos de Cinema Paradiso. O filme de Giuseppe Tornatore é sobre esse garoto e sua relação com o projecionista do cinema de sua infância. Ele cresce, vira adulto, cineasta. No final, emocionado, mas não mais que o espectador, recebe o legado do projecionista – uma antologia dos beijos que o padre mandava cortar, em nome da moral e dos bons costumes, e ele guardou. Na próxima etapa do Belas Drive-in, você já pode ir anotando os destaques. Serão atrações diretores como David Cronemberg, John Carpenter e Pedro Almodóvar, por meio de filmes como Videodrome - A Síndrome do Vídeo, Christine - O Carro Assassino e Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos e A Lei do Deserjo. Muito mais: Furyo - Em Nomne da Honra, de Nagisa Oshima, que teve a ideia de contrapor dois gigantes da música, David Bowie e Ryuichi Sakamoto, em grandes papéis dramáticos; Conta Comigo, de Rob Reiner, a história de Stephen King que tem pontos de contato com It - A Coisa; e o Interestelar, de Christopher Nolan. Música? Buena Vista Social Club, de Wim Wenders. Humor? O Gordo e o Magro em Clássicos do Deserto. Os drive-ins estão virando fenômenos da quarentena. No Rio, em Porto Alegre, em São Paulo, onde existem outras opções. Para tirar o cinema do streaming e mantê-lo vivo, na tela gigantesca. Muito importante – com segurança.

SERVIÇO

Belas Artes Drive-In

Onde: Memorial da América Latina – Entrada pela Rua Tagipuru s/no. - Portão 2

Quando: a partir de 17 de junho, de terça a domingo

Horários e Classificação indicativa: consulte a programação

Ingressos e combos deverão ser adquiridos antecipadamente através do site do Petra Belas Artes

Valores de Ingresso: 

R$65,00 para carro com até 4 pessoas

Capacidade para 100 carros por sessão

 

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