Paramount Pictures
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'O Bebê de Rosemary', 50 anos de satanismo com o selo de Polanski

Diretor que criou a história de terror que poderia acontecer a qualquer um

Carmen Rodríguez, EFE

12 Junho 2018 | 14h44

Na história do cinema há uma longa lista de filmes sobre Satanás, mas foi O Bebê de Rosemary, lançado meio século atrás, que colocou este tema na moda com um filme brilhante de Roman Polanski, diretor que criou a história de terror que poderia acontecer a qualquer um.

Fielmente baseado em um livro de Ira Levin, O Bebê de Rosemary, foi lançado em 12 de junho de 1968, e foi o primeiro filme totalmente americano do polonês Roman Polanski, que mostrou como, a partir do cotidiano, era possível criar um clima opressivo de medo e insegurança.

Nada mais cotidiano que um jovem casal que se muda para um apartamento em Nova York e decide ter um filho, com vizinhos idosos atípicos, muito solícitos, ou um marido capaz de tudo para ter sucesso como ator.

Mas tudo fica soturno quando Rosemary (o primeiro papel principal de Mia Farrow), depois de um pesadelo satânico, engravida e começa a suspeitar que uma terrível ameaça paira sobre ela e o bebê que espera.

Polanski maneja com maestria uma situação de ambiguidade neste filme. “Eu não quero que o espectador pense ‘isso’ ou ‘aquilo’, eu só quero que ele não tenha certeza de nada. Isso é o mais interessante: a incerteza.”

A imaginação, portanto, é a melhor máquina para criar o terror, se os indícios forem suficientemente sugestivos e, neste caso, estão envoltos por um halo de normalidade e pela obsessão por detalhes que traz a assinatura de Polanski.

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“Não há nada de sobrenatural, exceto o pesadelo. A ideia do diabo poderia ser considerada paranoia de Rosemary durante a gravidez ou uma depressão pós-parto", disse Polanski no canal do YouTube, Inside The Criterion Collection.

De imediato o espectador empatiza com a frágil e angelical Rosemary, que afunda cada vez mais e mais em um ambiente no qual seu seu marido, seu médico e os vizinhos intrometidos tomam dela o controle de si mesma como pessoa e como mulher.

A fragilidade e desespero que tomam conta da uma jovem e católica Mia Farrow, que resolveu fazer o filme apesar da oposição de seu marido Frank Sinatra - que lhe enviou os papéis do divórcio durante a filmagem - ou que foi capaz de comer fígado cru, mesmo sendo vegetariana.

“Para ser sincero”, admitiu Polanski, “não fiquei entusiasmado com ela até começarmos a trabalhar, então descobri, para minha surpresa, que ela é uma ótima atriz. Esse foi um dos papéis femininos mais difíceis que posso imaginar”.

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No entanto, o Oscar foi para Ruth Gordon, que construiu com grande domínio o papel da peculiar vizinha Minnie Castevet, e Polanski não conseguiu obter a prêmio de melhor roteiro adaptado.

A relação do diretor não foi, no entanto, tão idílica com John Cassavetes, que interpreta o marido de Rosemary, um ator com métodos muito distantes da obsessão de Polanski pelo planejamento e pela repetição infinita de tomadas.

Como outros filmes sobre o satanismo, O Bebê de Rosemary não escapou às lendas sobre locais, começando pelo lugar onde as cenas de exterior foram filmadas, o edifício Dakota, na porta do qual foi assassinado John Lennon e onde no início do século XX viveu o mago Aleister Crowley que segundo se conta, praticou lá seus rituais. Era uma época em que as seitas ocultistas proliferavam nos Estados Unidos. Membros de algumas delas concentravam-se nos portões do Dakota para se inteirar sobre o tema do filme e ameaçaram Polanski para que não continuasse com a filmagem.

Houve até mesmo quem visse um vínculo com a morte, um ano depois, da esposa de Polanski, Sharon Tate, grávida de oito meses, pelas mãos da seita da família de Charles Manson. Em qualquer caso, O Bebê de Rosemary não perdeu nenhuma de suas virtudes e deixou com os espectadores o rosto assustado de Rosemary quando ela contempla seu filho pela primeira vez.

Uma imagem negada ao espectador porque, como Polanski sempre defendeu: “mostrar a criança teria sido um grande erro”.

Tradução: Claudia Bozzo

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