Elizabeth Escobar/Divulgação
Elizabeth Escobar/Divulgação

As aventuras do ator Daniel de Oliveira por Fernando de Noronha e pelo Atacama

Estreiam em São Paulo os filmes 'Sangue Azul' e 'Romance Policial', ambos protagonizados pelo mineiro

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 03h00

Um forasteiro no Rio de Janeiro vindo de Belo Horizonte. Um quase carioca que esquenta o corpo a goladas de vinho tinto naquele frio e chuvoso início de tarde extremamente paulistano. Por fim, um ator em contato com o ambiente que o rodeia, circunda e o atinge em cheio. Daniel de Oliveira experimentou sensações distintas para embarcar nos protagonistas dos dois filmes que estreiam nesta quinta-feira, 4, Sangue Azul (do pernambucano Lírio Ferreira) e Romance Policial (do chileno Jorge Durán). Foi em Fernando de Noronha e no deserto do Atacama (Chile), respectivamente, onde ele conseguiu encontrar seus personagens e as próprias jornadas de autoconhecimento. 

“Certa vez, fui filmar em Belém, no Pará, e decidi fazer esse percurso de carro, saindo do Rio de Janeiro”, relembra um sorridente e extremamente simpático Daniel de Oliveira, no restaurante anexo ao cinema localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Ele se refere a experiência de filmar Órfãos do Eldorado, adaptação do livro homônimo de Milton Hatoum, previsto para estrear em novembro deste ano. O longa marcará um ano de boa fase cinematográfica do ator, que além dos três filmes, também está na tela da Globo na série Amorteamo. “Esse tipo de maluquice, como ir de carro até o norte do País, ajuda no momento de criar o personagem. Fica tudo muito mais verdadeiro. É importante para ter outra cabeça, começar a buscar um novo raciocínio, sem uma vaidade própria.” 

Em 2012, Daniel passou dois meses na ilha de Fernando de Noronha para interpretar Pedro, um rapaz que volta ao lugar onde nasceu como astro de um circo que aporta no lugar para temporada. Mas ele já não se vê como Pedro, assume a identidade de Zolah, o homem-bala, que ganha a vida sendo ejetado de um canhão e caçando moças dispostas a ter relações sexuais com ele. Pedro, o garoto apaixonado pela irmã e mandado embora pela mãe para evitar o incesto, é somente uma assombração que retorna quando o personagem pisa na ilha, 21 anos depois da partida.

“Não tive o que chamam de ‘neuronha’”, relembra, sobre a espécie de claustrofobia que certas pessoas sentem ao passar muito tempo na ilha oceânica, seja como turista, seja como morador. “O Pedro volta em busca do seu passado, lutar contra os monstros dele”, explica. “Os dois filmes mostram personagens que buscam sair do lugar comum, do seu hábitat.”

Sangue Azul é o primeiro filme rodado totalmente em Noronha, como o diretor Lírio Ferreirra gosta de dizer, com orgulho. “Senti imensamente livre estando ali”, relata o ator. “Podia dar um mergulho no momento que quisesse, afinal, estava com o cabelo raspado e isso não atrapalharia a continuidade”, relembra. “Lembro que consegui ter bastante tempo à toa, passeando pela ilha.” Depois da filmagem, ele levou a esposa e atriz Sophie Charlotte e os filhos para conhecerem a ilha. 

No Atacama, o ator de 37 anos teve uma experiência mais intensa como forasteiro. Rodeado de atores chilenos e dirigido por Jorge Durán, naquele que foi o primeiro filme dele em solo pátrio desde que fugiu do regime militar, Daniel deu vida a Antônio, um homem em busca de respostas. Neste caso, de inspiração. Cansado da vida que leva, o personagem busca na aridez do deserto uma centelha para um romance. Acaba encontrando um assassinato e é jogado para dentro da trama.

“Ele foi para o deserto sem destino, a não ser descrever o que sentia, observar e experimentar culturas e sabores”, explica. “Você acaba jogado para outro universo.” Acostumado ao papel de forasteiro. Daniel se molda ao ambiente e aos personagens. “Mas, no meu caso, a inspiração local vem como música”, disse. “Fiz algumas canções no Atacama.” 

ENTREVISTA. Lírio Ferreira, diretor de Sangue Azul

‘A ideia inicial era o amor impossível’ 

Por que escolheu Fernando de Noronha? 

A ideia inicial do filme era o amor, e, sobretudo, do amor impossível. Isso gerou a história dos irmãos. Queria que fosse num lugar que não tivesse uma fuga fácil. 

O filme conta uma história própria, mas, por ter sido rodado todo lá, conta a própria experiência de vocês? 

É a gente chegando lá, sim. Somos nós ensaiando de dia e, à noite, indo ao forró disputar as moças do lugar. Há um deslumbramento dos nativos com o pessoal de cinema. O ambiente arrebatou a gente de uma maneira que não teve para onde correr.

 

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