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'O Ano Mais Violento' é um dos melhores filmes em cartaz nas salas brasileiras

Drama conta com Oscar Isaac e Jessica Chastain no elenco

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 03h00

De cara, uma série de informações veiculadas na rádio dão conta de que o ano de 1981 está sendo um dos mais violentos da histórias de Nova York. Assassinatos e roubos sucedem-se num ritmo vertiginoso, e é nesse quadro que os caminhões de transporte da empresa de Morales/Oscar Isaac são assaltados - e os motoristas, agredidos -, criando um clima de insegurança que ameaça destruir o sonho americano (de sucesso e dinheiro) do imigrante latino. Morales reage à violência tentando manter-se na legalidade. Sua mulher, Jessica Chastain, filha de um homem com antecedentes criminais não tem tanta paciência.

O marido quer-se manter dentro da lei, ela quer pegar em armas. Pairando sobre os dois como uma sombra ameaçadora está o promotor David Oyelowo, que investiga as empresas de Morales, tentando descobrir o menor deslize que seja. É nessas frentes que se desenvolve a trama do intenso O Ano Mais Violento, de J.C. Chandor. A relação do casal, a luta solitária de Morales, sua ligação com um dos motoristas da empresa, latino como ele, o promotor. Acuado, sem crédito para fechar o negócio que consolidará seu poder no segmento empresarial em que atua, Morales está a ponto de tudo perder, quando uma reviravolta lhe permite manter-se à tona, mas com revelações inesperadas para ele.


J.C. Chandor é o roteirista e diretor de Margin Call - O Dia Antes do Fim e Até o Fim. O primeiro é um drama que se passa no mercado financeiro à beira do colapso, mostrando todo tipo de intimidação física e verbal de que se valem os donos do dinheiro. O segundo mostra Robert Redford como um homem num barco à deriva no oceano. Poder, dinheiro - e luta pela sobrevivência. O Ano Mais Violento não deixa de ser uma síntese dramática dos dois. Mas não se iluda quanto ao ano violento. A rádio também informa a toda hora que Ronald Reagan e Margaret Thatcher estão se reunindo para discutir uma nova ordem econômica neoliberal. Os conflitos do filme não deixam de ilustrar esse novo tempo. O ano de 1981 foi mais violento por causa dos pequenos assaltos, ou de Reagan e Thatcher? Além de muito bom e bem feito, é um filme crítico. 

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