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'O Abraço da Serpente' leva 7 das 8 estatuetas do Prêmio Platino del Cine Iberoamericano

Um dos grandes momentos da noite foi a premiação de Ricardo Darín

Luiz Zanin, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2016 | 21h01

Não foi surpresa o colombiano O Abraço da Serpente ter vencido a 3.ª edição do Prêmio Platino del Cine Iberoamericano. Era favorito. Surpresa foi ter emplacado sete das oito categorias para as que estava indicado. Seu concorrente direto, o guatemalteco Ixcanul, também com oito indicações, foi premiado em apenas uma delas – a de melhor filme de diretor estreante. A cerimônia se deu domingo à noite, 24, no novíssimo Centro de Convenciones do balneário.

Um dos grandes momentos da noite foi a premiação de Ricardo Darín, o homenageado do ano. O ator argentino ganhou um longo aplauso em pé da plateia de cerca de 2 mil pessoas e pronunciou discurso breve e inteligente sobre a necessidade de o cinema ibero-americano se impor diante do gigante de Hollywood, que ocupa a maior parte das salas do mundo. O Brasil, excluído das indicações, foi representado pelo filme que teria possibilidades de fazer bonito na festa. Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, recebeu troféu especial, o Prêmio Platino de Cinema e Educação em Valores. A atriz Karine Telles (que faz a “patroa” de Regina Casé) recebeu o troféu das mãos da Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Menchú, e fez um discurso político, iniciado pela palavra de ordem “Fora, Temer”. Foi muito aplaudida. Rigoberta Menchú definiu o cinema como “arte poderosa, capaz de ensinar respeito, concórdia e paz” e daí apoiar a iniciativa de premiar filmes que sintetizem essas três qualidades. Emocionou o público. É figura carismática.

O grande vencedor dos Platinos deste ano poderia ser citado por Menchú como detentor também desses ideais, ao mostrar o problemático encontro entre civilizações dotadas de vocação colonial e os habitantes autóctones das Américas. Na história, dois pesquisadores alemães, em dois tempos distintos, encontram um xamã amazônico. Os dois indígenas, que representam o personagem Karamakate, Nilbio Torres e Antonio Bolivar, estiveram em Punta del Este e encantaram a todos com sua simpatia. No fim da festa, o veterano Antonio Bolivar, de cocar, ergueu o troféu e saudou seu país e os povos indígenas. O diretor do filme, Ciro Guerra, agradeceu aos povos amazônicos terem lhe franqueado seus segredos e seu mundo.

De todas as categorias para que foi indicado, O Abraço da Serpente deixou escapar apenas a de melhor roteiro, que foi para o chileno O Clube, de Pablo Larrain, história de pedofilia na Igreja. O Chile ficou também com o prêmio de melhor documentário para o estupendo Botão de Pérola, de Patrício Guzman, novo mergulho do diretor nos horrores da ditadura de Pinochet.

A Argentina emplacou dois troféus de interpretação, melhor ator para Guillermo Francella, de O Clã, e melhor atriz para Dolores Fonzi, por Paulina. Ambos, lá estiveram para buscar seus prêmios e também Dolores pronunciou um discurso duro contra a sociedade machista e a opressão da mulher, tema do filme de Santiago Mitre no qual ela faz uma professora idealista estuprada por seus próprios alunos. Dolores subiu ao palco portando um cartaz com a inscrição “Somos todos Belém”, em apoio à moça desse nome, encarcerada em Tucumán por haver praticado o aborto.

Prêmio itinerante, o Platino terá Madri como sede em 2017, depois de haver passado por Cidade do Panamá, Marbella e Punta Del Este.

Melhor filme

O Abraço da Serpente (Colômbia)

Melhor diretor

Ciro Guerra (‘O Abraço da Serpente’)

Melhor atriz

Dolores Fonzi (‘Paulina’), Argentina

Melhor ator

Guillermo Francella (‘O Clã’) Arg.

Melhor roteiro

O Clube’ (Chile)

Melhor documentário

O Botão de Pérola’ (Chile)

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