NYT: "Ônibus 174" é jornalismo investigativo "de primeira"

O documentário Ônibus 174 vai ser exibido hoje em Nova York. Mais precisamente na Alice Tully Hall, na programação da série New Directors/New Films. O filme de Felipe Lacerda e José Padilha recebeu uma crítica muito positiva do principal jornal da metrópole, o The New York Times. Para o crítico A. O. Scott, Ônibus 174 tem "a força da tragédia e a profundidade do jornalismo investigativo de primeira classe".Lembrar o episódio funesto que se passou no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2000, é perder tempo de leitores brasileiros. O seqüestro de um ônibus da linha 174 por Sandro Nascimento, que terminou com a morte de uma professora, ainda é vívido na galeria de tragédias da memória nacional. Para os nova-iorquinos, o NYT nota que Ônibus 174, o filme, vai além dos fatos e envereda pelas motivações e a personalidade do seqüestrador, o que passou em branco pela maior parte da mídia à época.Como quase toda a socidade brasileira, o crítico do diário de NY chega à fácil conclusão sobre a incompetência da polícia durante o episódio. Mas diz que "os diretores, conversando com assistentes sociais e sociólogos, assim como amigos e parentes do seqüestrador, compensam isso com a produção de um retrato detalhado e horrivelmente triste de uma vida forjada pela crueldade e indiferença que parecem endêmicas no Brasil".A crítica também compara Ônibus 174 a Cidade de Deus, o "ultraviolento melodrama das gangues de jovens do Rio". Diz que "este filme (Cidade de Deus) sugere que mesmo numa sociedade saturada pela violência, mesmo as almas mais degradadas retêm um senso moral primitivo". A. O. Scott termina com uma reflexão sobre os motivos de Sandro Nascimento. Para ele, ainda que ele tivesse motivações mais óbvias para seqüestrar o ônibus, talvez o quisesse mesmo era se matar. O que pode fazer mais sentido para quem conheceu o episódio apenas pelo documentário.

Agencia Estado,

27 de março de 2003 | 18h20

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