Divulgação
Divulgação

'Nowhere Boy' revela o lado inseguro do jovem John Lennon

No Brasil, o filme tem previsão de estréia é para o dia 3 de dezembro

Antonio Martín Guirado, EFE

08 de outubro de 2010 | 10h26

Chega nesta sexta-feira (8) aos cinemas dos Estados Unidos, véspera do 70º aniversário de nascimento de John Lennon, "Nowhere Boy", filme de Sam Taylor-Wood que revela o lado sensível e inseguro do ex-beatle em sua problemática adolescência. No Brasil, o filme tem previsão de estréia é para o dia 3 de dezembro.

 

Liverpool, 1955. A vida de um menino inquieto de 15 anos (Lennon, representado por Aaron Johnson), ansioso por viver experiências, se debate no seio de uma família desestruturada e repleta de segredos, sob o comando de duas mulheres: a tia que o criou, Mimi (Kristin Scott Thomas), e sua mãe, Julia (Anne-Marie Duff).

 

Sob esse contexto e na busca de uma forma de escape, Lennon descobre o rock'n'roll e conhece outro jovem com a mesma paixão pela música, Paul McCartney (Thomas Brodie Sangster). Ninguém imaginava que uma parte vibrante da história da música começava a ser escrita.

 

"É o maior papel da minha carreira", disse Aaron Johnson em entrevista à Agência Efe. "O mais intenso e o que supôs o maior desafio", acrescentou o protagonista de "Kick-Ass - Quebrando Tudo", produção que o alçou à fama.

 

O britânico de 20 anos, que mantém um relacionamento com a diretora de "Nowhere Boy", Sam Taylor-Wood, com quem teve uma filha em julho, se apresentou para os testes quando estava na reta final de filmagem da violenta "Kick-Ass", produção na qual teve que conter seu sotaque.

 

"Li o roteiro e me pareceu precioso, absolutamente fantástico. Quis fazer parte do projeto e me esforcei muito para conseguir", disse Johnson, que admitiu sentir certa pressão quando soube que tinha sido escolhido para o papel.

 

"Lennon é um ícone. Senti a responsabilidade de investigar exaustivamente, portanto escutei toda a sua música, vi documentários, li biografias... No final decidi que devia esquecer tudo e interpretar o papel de forma natural, embora soubesse ao que devia me apegar para fazer meu trabalho", explicou o ator.

 

Johnson disse que durante seu trabalho de pesquisa descobriu que na juventude Lennon "guardou muitas emoções para si mesmo".

 

"Ele não gostava de compartilhar a dor e a tristeza que sentiu em muitas ocasiões e isso é algo que se vê no filme. Tratava de conter, e em algumas ocasiões, enterrar esses sentimentos. Acho que mostramos essa veia sensível e insegura da sua juventude", declarou o ator, que teve que aprender a cantar e a tocar violão para o filme.

 

Johnson se declarou um fã incondicional da música de Lennon, embora tenha dito que isso era tudo o que sabia sobre o artista antes de embarcar no projeto.

 

"O roteiro foi a minha primeira ferramenta", apontou o ator, que acredita que o espectador se surpreenderá ao descobrir as origens do ex-beatle, criado por sua tia e muito próximo ao seu tio, John, com quem estabeleceu uma relação muito íntima, sendo o mais próximo que teve de uma figura paterna.

 

"Foi o pai que ele não teve durante grande parte da sua infância. Dava banho nele, o colocava para dormir, sentava com ele na cama para contar histórias, escutavam rádio juntos... Tinham uma relação especial", indicou Johnson, satisfeito por o filme ter emocionado tanto Yoko Ono, viúva de Lennon, como Paul McCartney.

 

No final do filme toca a música "Mother", um dos temas mais conhecidos de Lennon. "Escutar essa canção depois do que ocorre no filme faz com que um calafrio percorra todo o seu corpo", comentou o ator.

 

Yoko detém os direitos sobre a canção, enquanto acontece o mesmo com McCartney em relação às outras duas músicas de "Nowhere Boy". As duas celebridades decidiram cedê-los para a produção. "Foi como uma bênção", disse Johnson. "Esse apoio é algo que realmente nos faz sentir bem", acrescentou.

 

Lennon foi assassinado em 8 de dezembro de 1980, na porta do edifício onde morava, o Dakota, em frente ao Central Park, em Nova York. Para Johnson, se o ex-beatle estivesse vivo hoje, seguiria lutando por uma sociedade melhor através de sua música e de seu ativismo.

 

"Ele realmente queria mudar o mundo. Queria que as pessoas se tratassem com respeito e vivessem em paz, que não houvesse guerras nem ódio. Era um espírito livre e generoso", concluiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.