Paramount Pictures
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Novo 'Transformers' é maior e mais barulhento que os anteriores

Peças de 'O Último Cavaleiro' se encaixam e o caos faz sentido, no final

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2017 | 06h00

Quando esteve em São Paulo, há poucas semanas, Michael Bay desdenhou da crítica. Diz que simplesmente não lê o que escrevem sobre seus filmes, principalmente a série Transformers. Bay deveria ler - nem que fosse para se divertir. O que a maioria escreve sobre Transformers pouco ou nada tem a ver com os filmes. E chegamos ao quinto filme da série, O Último Cavaleiro. Pelo menos sob um aspecto Bay está certo. Seu termômetro é a bilheteria, e aí ele está montado na razão. E na grana.

A série Transformers já faturou mais de US$ 4 bilhões. O 3 e 4, os mais odiados pelos críticos, faturaram mais de US$ 1 bi cada um. O faturamento de bilheteria nunca é o melhor termômetro para se avaliar um filme, mas também não pode ser negligenciado. Tem gente que pergunta para quem Michael Bay faz seus filmes? Vejam os números - para o mundo, menos os críticos. O faturamento bilionário tem a ver com o mercado chinês, que está escancarado para o Ocidente, leia-se Hollywood.

O Último Cavaleiro parece mais caótico que os filmes precedentes. O roteiro lista um batalhão de soldados, perdão, de profissionais. A história desenvolve-se em várias frentes. Começa com a intervenção de um dragão transformer na batalha decisiva para estabelecer o mito do rei Arthur. Como? Um transformer no reino da Távola Redonda? Mucho loco. Na trama fantasista, um artefato do espaço não só é usado como arma, como é enterrado com o lendário Merlin. Séculos depois, o espaço está em guerra. Autobots vs. Decepticons. Esses últimos buscam o artefato enterrado com Merlin. Dele depende a sobrevivência do planeta Cybertron. Na nova guerra, Optimus Prime coloca-se contra os terráqueos. Caberá a Cade Yeager/Mark Wahlberg trazer o autobot para o seu lado, mais uma vez.

Cade, o último cavaleiro - mas ele é nada sem a colaboração (cumplicidade?) da última descendente de Merlin. Ela se chama Vivian e é interpretada pela estonteante Laura Haddock. Numa cena, Laura/Vivian entra numa sala seguida pela câmera, que tem o foco nos seus quadris. A saia é justa, os saltos são altos. Vivien move-se como a replicante Sean Young de Blade Runner - O Caçador de Andróides, o clássico de Ridley Scott. Vivian localiza o artefato e só ela pode operá-lo, mas necessita do cavaleiro, e ele, por princípio, tem de ser casto. Mark Wahlberg! Boy meets girl, mas isso vai ter de esperar - pela salvação da Terra.

O filme é maior, muito maior do que qualquer Transformer anterior. Em São Paulo, Michael Bay contou como utilizou câmeras Imax de última geração, na verdade, desenvolvidas para o filme. Numa era em que os jovens não se importam de baixar filmes por aplicativo nos celulares, o Sr. Cinemão resiste. Filma para salas de cinema, e para salas Imax, mais caras. Tudo aponta para o esgotamento de uma era, o fim de um ciclo. Os blockbusters já eram. Mas se é uma rapa de tacho, Hollywood está faturando muito com ela. Nunca tantos filmes - Guardiões da Galáxia 1 e 2, Jurassic World, etc. - chegaram tão rapidamente ao bilhão de dólares (cada um).

O batalhão de roteiristas é responsável pelo acréscimo de novos personagens - a garota, o aristocrata Anthony Hopkins, o robô sociopata de Hopkins. Se existe humor no filme, ele vem desse último, que chega a ironizar, de dentro, o que há de megalô no jogo de Michael Bay. Cade resgata Optimus Prime do lado escuro da Força (qualquer referência a Star Wars não é mera coincidência) e todas as peças aparentemente perdidas se encaixam no final. O Último Cavaleiro é sobre o mito - que Vivian/Laura, como especialista, a princípio contesta. O discurso é sobre heróis anônimos. Os fãs de carteirinha não vão se decepcionar.

 

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