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Novo 'Suspiria' investe mais no grotesco, com cenas aflitivas

Filme é dirigido por Lucca Guadagnino e tem Tilda Swinton e Dakota Johnson no elenco; confira o trailer

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 10h52

Discretíssima no filme orioginal de Dario Argento, de 1977, a dança é uma das protagonisdtas do remake de Suspiria, que estreia nesta quinta, 11, no Brasil. O filme ganhou até um acréscimo são título - A Danças da Morte. Susie/Dakota Johnson, a Anastasia de 50 Tons de Cinza, faz uma garota que vem de uma comunidade fechada dos EUA - os amish - para se tornar bailarina numa das mais renomadas companhias do mundo, a Markos Tanz Company, em Berlim. A família é religiosa e, agora, essa outra família para a qual ela está entrando é profana - de bruxas que adoram, e representam, entidades malignas, as três Mães. Lacrimorum, Suspirorum e Tenebrorum.

Numa entrevista ao Estado, na época de Me Chame pelo Seu Nome - quando já preparava o remake de Argento -, o diretor Luca Guadagnino confessou ao repórter que, desde pequeno, adorva o cinema de gênero. Os pais saíam e ele ficava vendo filmes de terror na madrugada. Guadagnino até brincou - "Hoje, eles (seus pais) até poderiam ser acusados de negligência, perderiam minha guarda." Guadagnino considera Argento um mestre, mas o filme dele contempla outra influência - a do alemão Rainer Werner Fassbinder, que investigou o universo feminino e a crueldade dos homens.

A versão de Guadagnino situa a ação no ano em que foi produzido o filme clássico de terror de Argento. Em 1977, Berlim dividida pelo Muro e convulsionada pelas ações terroristas do Grupo Baader Meinhoff. Neste quadro, um psiquiatra tenta descobrir o que ocorreu com uma de suas pacientes, que desapareceu na Markos Tanz. Seu interesse pela casa e pelo que pode estar ocorrendo lá dentro coincide com a chegada de Susie/Dakota. Intensificam-se a violência e os assassinatos. Quem é, na verdade, Madame Blanc, a personagem interpretada por Tilda Swinton? Na casa, há uma disputa de poder, que divide professoras e alunas. Outra madame está doente, vive reclusa, e representa outro mistério.

O que você precisa saber sobre o novo Suspiria? Guadagnino investe mais no grotesco que no terror, e um bom exemplo disso é a cena em que a bailarina se quebra toda ao executar a coreografia de Madame Blanc. A cena é mais aflitiva que assustadora. Argento, por kitsch que seja o profondo rosso de seu filme chega ao ponto, o terror, na cena em que o pianista cego é atacado por seu cão guia. Sua trilha, do grupo de rock progressivo Goblin, é mais opressiva. E ele só revela no fim o segredo que a garota escancara para o terapeuta na abertura do Guadagnino - "Elas querem me pegar!" Elas, as bruxas, as mães. Pode-se dizer que Guadagnino entende Argento, mas à força de querer ser mais complexo que ele, termina por perder-se. Jessica Harper, protagonista de Argento, tem um pequeno papel. Ingrid Caven, atriz de Fassbinder, uma participação maior. E Tilda Swinton faz três papéis. Preste atenção para identificá-la. Talvez cause frissom a revelação da identidade da terceira mãe, mas o que Guadagnino agrega a Argento é a história de amor do psiquistra. É o que o filme tem de mais intenso.

Confira o trailer de Suspiria (1977), de Dario Argento:

 

 

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