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Novo 'Robocop' une filosofia a cenas de ação, diz ator

Sueco Joel Kinnaman fala do filme e diz que já acompanhava obra de José Padilha

Flavia Guerra, Rio - O Estado de S. Paulo

04 de março de 2014 | 22h23

"O José Padilha é um diretor que traz algo de novo. Ele é sempre capaz de contar uma pequena história e, a partir dela, contar uma grande história. Foi assim em Ônibus 174 e em Tropa de Elite. E é assim em Robocop. Ele se destaca entre outros do cinema brasileiro."

A frase seria comum se tivesse sido dita por um crítico ou ator brasileiro, mas em se tratando de um sueco que até há pouco tempo morava em Estocolmo e se dedicava majoritariamente ao teatro, é sinal de que há algo mais a se observar.

O autor da análise é o Joel Kinnaman, responsável por dar rosto e emoções ao novo Robocop. Em conversa com jornalistas durante o lançamento do filme, Kinnaman não escondia o fato de que a decisão de aceitar estrelar o remake do filme dirigido por Paul Verhoeven em 1987 se deveu principalmente pelo fato de Padilha assinar a direção. "Sou fã dele. Tinha visto seus filmes. Com ele eu sabia que haveria algo de novo, além de mais um remake sem identidade, pensado para só fazer dinheiro", disse o ator sueco radicado nos EUA. "Gosto da cultura brasileira. Adoro Bebel Gilberto, futebol e cinema, que sempre acompanho."

Sobre cinema, violência, Padilha e claro, Robocop, Kinnaman conversou com o Estado.

Você assistiu aos filmes anteriores de Padilha? É cinéfilo?

Não diria que sou cinéfilo inveterado, mas gosto de filmes bons. E sempre os procuro. Mesmo na Suécia, onde é mais difícil ter acesso a filmes brasileiros, sempre perguntava a amigos que trabalham no cinema sobre boas dicas. Foi um amigo documentarista que me apresentou Ônibus 174. Ele já tinha morado no Brasil e disse que representava muito bem a realidade do País. É um grande filme, um dos meus favoritos.

O que no cinema de Padilha o fez aceitar o papel?

Gosto de muitas coisas no cinema dele. Em Tropa de Elite, por exemplo, lança um olhar muito interessante sobre a sociedade. Mostra diferentes níveis de um sistema e nos faz ter um entendimento mais profundo de como muitos policiais acabam se comportando como fascistas, mas que eles são também vítimas de um sistema falho e corrompido. Gosto da forma como ele mostra que a injustiça social afeta a sociedade de muitas formas. Ele conta uma história que representa muitas. Tem um estilo ao mesmo tempo sagaz e poético. Seus filmes são sempre sobre algo mais, que vai além.

Vê paralelo entre o Capitão Nascimento e Alex, de Robocop?

Sim. O treinamento do Bope exaure os policiais de forma que eles param de refletir sobre o que fazem e passam a agir como máquinas. Há um mecanismo fascista por trás disso. No primeiro Robocop, Verhoeven levou esta ideia adiante e fez o paralelo entre a automatização da violência e o fascismo. José trouxe a ideia para os dias de hoje e falou do perigo que aplicativos militares, como os drones, representam.

O que foi mais difícil no papel?

Foi o fato de que, em algumas das cenas mais emotivas, eu tinha de estar completamente parado. Um exemplo é a cena em que Dr. Norton revela a Alex o que sobrou dele após o acidente. Esta foi uma cena difícil porque eu tinha de demonstrar uma ansiedade e emoções profundas, desespero e, ao mesmo tempo, não me mover. A gente usa nosso corpo para se expressar. Para um ator, isso é mais forte ainda. A linguagem corporal ajuda a mente a criar emoções. E eu tive de criar tudo com a mente. Foi complicado.

A nova versão o humaniza mais e enfoca mais sua família?

Sim. A grande diferença entre este Robocop e o primeiro é que, quando Alex acorda, tem mais consciência sobre sua condição. Ele tem sua memória, a relação com a família, e por isso sentimos mais suas perdas. Ele não pode mais fazer amor com a mulher ou brincar com o filho, esta é uma parte muito maior da história, que trata muito mais das perdas emocionais dele. Este é um filme para se divertir, mas tem alma, algo a dizer e algo de filósifico por trás da ação.

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