'Quarteto Fantástico' se inspira em versão alternativa - mas falha como o antecessor

'Quarteto Fantástico' se inspira em versão alternativa - mas falha como o antecessor

Ficção científica e a aventura não se misturam e dividem o longa-metragem em dois filmes distintos

Pedro Antunes, Nerdices

07 de agosto de 2015 | 06h00

O cinema tentou recontar a história do herói Homem-Aranha, poucos anos depois, e o resultado foi desastroso – e a continuação daquela nova história já chegou ao fim. Hollywood não aprendeu, ao que parece. Dez anos depois da aventura do Quarteto Fantástico dirigida por Tim Story chegar às telonas, o promissor Josh Trank repete a ideia de apresentar os quatro heróis, sua origem e seu mais icônico vilão. 

O novo reboot, que estreou nesta semana, contudo, bebe de outra fonte. Deixa a origem contada por Stan Lee e Jack Kirby, já datada, e segue atrás da nova origem criada por Brian Michael Bendis e Mark Millar. É mais atual, contemporânea, mas pouco consistente para justificar um retorno do Quarteto às telonas. 

Novamente, desperdiça-se tempo na tentativa de explicar a complexidade de cada integrante do supergrupo, formado por Reed Richards (Miles Teller), Johnny Storm (Michael B. Jordan), Sue Storm (Kate Mara) e Ben Grimm (Jamie Bell). Metade do filme de uma hora e 40 minutos é dedicada aos caprichos de Trank em construir personagens humanos, distantes dos estereótipos, como ele o fez em Chronicle (aqui chamado de Poder Sem Limites), uma história de origem de super-heróis anônimos. 

É ficção científica pura até o fim do segundo terço do filme, quando um acidente em uma dimensão paralela afeta os protagonistas. Há algo de terror na forma como os poderes se manifestam, mas aí podem estar as diferenças criativas citadas em rumores de bastidores. 

Há rumores de que Trank e estúdio não entraram em acordo sobre o caminho natural da trama. Repentinamente, a ação desenfreada toma conta da ficção científica – e acende a discussão sobre as tais refilmagens promovidas depois da versão do diretor estar pronta. 

Uma luta com fundo em tela verde, embebida de efeitos especiais acrescentados na pós-produção, encerra estranhamente um filme que se vendeu como algo que seria fundamentado na relação humana, em uma noção de família entre os quatro integrantes – e é essa a força deles nas HQs, aliás. 

Todas as diferenças entre eles, tema central do longa e bem construídas por Trank, são resolvidas em minutos, numa luta contra um vilão dispensável. Frankenstein cinematográfico, o novo Quarteto Fantástico promove uma autossabotagem inexplicável. 

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