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Novo 'Quarteto Fantástico' estreia nesta semana

Filme celebra a nova onda das HQs filmadas que mostra como a união faz a força

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 04h00

Passaram-se dez anos desde que Tim Story retomou a história do Quarteto Fantástico – com um filme nada memorável, é bom lembrar. O próprio Story, numa entrevista por telefone, na época, prometeu que o 2, contra o Surfista Prateado, seria melhor – e foi. O Quarteto ressurge agora retalhado por Josh Trank. A onda é reboot, redefinir os conceitos das velhas HQs. O Quarteto surgiu no começo dos anos 1960. Foi a primeira moderna família de super-heróis, mas, na visão de Trank, eles são muito mais ‘freaks’.

O próprio diretor anunciou sua vontade de seguir a vertente de David Cronenberg, contando a história de amigos que, na sequência de um acidente, sofrem mutações em seus corpos e terminam virando aberrações aos olhos de seus semelhantes. Os superpoderes conquistados por Reed Richards e seus companheiros de jornada (o casal de irmãos Johnny e Susan Storm, mais Ben Grimm) estão longe de ser tratados como coisa boa. 

Eles são isolados e viram experimentos do poderio bélico norte-americano. E ainda amargam o que, para eles, é a deserção de Reed, que consegue fugir do cativeiro a que estão segregados. Ele prometeu salvar o amigo, quase irmãos, mas aos olhos desses também fugiu.

O filme conta, assim, a história de um grupo desunido e revoltado, e de como eles vão precisar se unir para enfrentar o integrante do grupo original que virou um pária – Viktor. Também imbuído de superpoderes (para o mal), Viktor Von Doom se transformou no sinistro Dr. Destino e ameaça destruir a Terra de vez. Embora realizado com recursos limitados para um blockbuster do verão americano (US$ 120 milhões), o filme capricha nos efeitos do Quarteto – o Tocha e o Coisa são os melhores, mas a elasticidade de Ben, interpretado por Miles Teller, de Whiplash, também é muito boa. Não falta humor.

Uma cena particularmente lograda é aquela em que Susan/Kate Mara fala de padrões musicais com Ben, e no imaginário do espectador ela remete a Whiplash, todo construído na ligação do jovem músico (Teller) com seu implacável instrutor. O diferencial é o tom sombrio, de tragédia, com momentos que podem ser emocionantes, dependendo do grau de adesão do público.

Muita gente já falou mal do novo Quarteto Fantástico, mas, além de o filme ser melhor do que o pintaram seus detratores, o aspecto mais interessante é a forma como se inscreve na nova tendência dos super-heróis de Hollywood. Numa economia de mercado que celebra o individualismo – cada um por si e Deus contra todos –, a nova onda das HQs filmadas é mostrar como a união de heróis bizarros faz a força. X-Men já vinha fazendo isso há tempos, mas pense nos Vingadores e nos Guardiões da Galáxia. Os integrantes do Quarteto são tão estranhos/diferentes que poderiam estar nos Guardiões, com a ressalva de que um filme aposta no humor (quase) paródico enquanto o outro adota um tom mais grave.

Liderado por Ben /Teller, o grupo de Quarteto Fantástico inclui novos talentos como Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell. Jordan já integrara outro grupo criado pelo diretor Josh Trank em Poder Sem Limites. Trank foge ao figurino tradicional dos diretores de fantasias de super-heróis porque, para ele, a ficção científica liga-se ao terror. Sua filiação à vertente de Cronenberg não é produto de mero acaso, mas decorre de uma atitude consciente.

Resta saber se o público, que adora super-heróis e terror – separadamente –, vai aceitar a superposição. É bem interessante, e no limite equivale a (mais) uma tentativa de humanização dos super-heróis.

Assista a trechos do filme 'Quarteto Fantástico'

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