Novo 'Indiana Jones' decepciona em relação a 2 primeiro

Quase 20 anos se passaram desde aúltima aparição nas telas de Indiana Jones, ao lado do pai,depois de encontrar o Santo Graal. Nesse meio tempo, o diretorSteven Spielberg passou definitivamente de filmes de aventurapara dramas mais sérios. Agora, ele retoma o arqueólogo mais famoso do cinema em"Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", que estréia emtodo país nesta quinta-feira em cópias dubladas e legendas. Alguns aspectos permanecem intactos no novo filme, como oar retrô que a série sempre teve, o humor tipicamentenorte-americano, as perseguições, e a trilha sonora onipresentede John William. Mas uma frase de Harrison Ford, na pele deIndiana, parece uma ironia com o que se vê na tela: "É sempre amesma coisa." Os dois primeiros filmes da série, "Os Caçadores da ArcaPerdida" (1981) e "Indiana Jones e o Templo da Perdição"(1984), tinham um clima de matinê, uma leveza da diversãodespretensiosa que Spielberg já havia perdido em "Indiana Jonese a Última Cruzada" (1989). Dessa vez, o diretor, ganhador do Oscar por "O Resgate doSoldado Ryan" (1998) e "A Lista de Schindler" (1993), não tem omesmo vigor. Parece pensar que filmes de aventura são menoresse comparados aos grandes dramas que fez nos últimos anos. Porisso, dá a impressão de dirigir o filme no piloto automático. Tal qual "O Resgate do Soldado Ryan", os 20 primeirosminutos são muito bons. O mesmo nível nunca mais é atingido atéo final. A história começa no final dos anos de 1950, com aGuerra Fria polarizando o mundo. Soldados soviéticos conseguemse infiltrar numa base nuclear dos EUA e buscam um caixotevalioso num depósito. Para encontrá-lo, precisarão da ajuda doprisioneiro Indiana Jones. BLANCHETT VILÃ Nas primeiras cenas é introduzida a vilã -- e melhorpersonagem do filme -- Irina Spalko (Cate Blanchett), umacientista soviética brilhante, conhecida como a 'favorita deStalin'. Com sua inteligência e um corte de cabelo à LouiseBrooks, ela é uma vilã à altura de qualquer herói -- até JamesBond teria dificuldades para lidar com ela. É claro que Indiana Jones vai conseguir fugir desses vilõese sobreviver a um teste nuclear. Depois, é levado para umafloresta da América do Sul por Mutt (Shia LaBeouf, de"Transformers"), para salvar a mãe do rapaz e mais um velhoamigo do arqueólogo. Mais tarde, depois de muitos encontrosdesagradáveis com insetos e algumas perseguições, o Dr. Jonesdescobrirá que a mãe do garoto é Marion (Karen Allen), suanamorada de "Os Caçadores da Arca Perdida". Os assuntos familiares ficarão para mais tarde, uma vez queos russos estão chegando, em busca de uma caveira de cristal eum reino perdido que dão poderes a quem os encontrar. Por isso,os soviéticos estão em busca dessa lenda, para assim dominar omundo. Em "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal",Spielberg consegue combinar dois temas que lhe são caros: aquestão da paternidade e alienígenas. Mas nunca os desenvolvemuito bem, pois o filme conta apenas com uma correria atrás daoutra -- em especial na Floresta Amazônica e nas Cataratas doIguaçu, que, na geografia confusa do filme, são bem pertinhouma da outra. Subversões geográficas à parte, "Indiana Jones e o Reino daCaveira de Cristal" é pura diversão -- mas não no mesmo nívelque Spielberg conseguiu antes. Depois de muito copiado porfilmes como "A Múmia", "Sahara", e até "Código Da Vinci",Indiana Jones está de volta para retomar seu posto -- mas nãofaria mal algum delegar o chapéu e o chicote a um herdeiro. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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