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Novo filme de Vin Diesel vende 300 mil ingressos em um único dia

'O Último Caçador de Bruxas' é sucesso de bilheterias no Brasil

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2015 | 03h00

Está sendo o ano de Vin Diesel. O êxito planetário de Velozes e Furiosos 7 ainda podia ser creditado ao sentimento de perda dos fãs da série, atordoados pela morte prematura de Paul Walker. Somente no Brasil foram quase 10 milhões de espectadores – exatamente 9.825.844 espectadores. Quantos filmes não fazem nem 74 mil necessários para arredondar a cifra? Já no caso de O Último Caçador de Bruxas, o sucesso deve-se única e exclusivamente ao carisma de Vin. O filme dirigido por Breck Eisner fez mais de um milhão de espectadores no Brasil, no primeiro fim de semana. Num único dia – sábado, 31 de outubro, Dias das Bruxas –, Último Caçador vendeu mais de 300 mil ingressos.

É sucesso para ninguém botar defeito, mas nunca a crítica se dedicou com tanto afinco a desautorizar o público. O adjetivo mais generoso aplicado ‘contra’ o filme é que é previsível. Um crítico chegou a cravar – está tudo nele. Talvez tenha ajudado a construir o megassucesso. O trailer foi super-acessado na rede, mas pelo visto o público não ficou satisfeito com a ‘súmula’ e quis mais. Vamos logo dizendo que Último Caçador de Bruxas começa razoavelmente, senão bem, e que depois começam os problemas.

Na abertura – no prólogo –, Vin Diesel ainda vive na Idade Média. Chama-se Kaulder, é valentão e, face à peste negra que dizima comunidades, proclama que se trata de obra de bruxas. À frente de um grupo de homens destemidos como ele, Kaulder mata a bruxa que considera responsável pela hecatombe que assola a humanidade. Antes de morrer, ela lança sua maldição. Kaulder vai viver para sempre e, imortal, verá todos seus entes queridos morrerem. Um corte de 600 anos transporta o herói para a era atual, onde Kaulder segue caçando bruxas, agora como integrante de uma sociedade secreta. O curioso é que ele atravessou os séculos sempre assessorado e protegido por um certo ‘Dolan’. O 36º Dolan acaba de morrer – uma participação dispensável (para o prestígio do ator) de Michael Caine. É logo substituído pelo 37º da linhagem, interpretado por Elijah Wood, o Frodo da trilogia O Senhor dos Anéis. Como o Dolan anterior morreu em circunstâncias que apontam para a intervenção de alguma bruxa, a caçada recomeça.

O Dolan da vez é um jovem padre, que Elijah interpreta de forma tão apática que o personagem nunca diz a que vem. Como nem toda bruxa é do mal, há uma do bem que cruza o caminho de Kaulder. Quem faz o papel é Rose Leslie, da cultuada série Game of Thrones. Se o romance dela fosse com o padre o público poderia tirar um cochilo, porque a personagem é tão desinteressante quanto. A questão que perturba, então, passa a ser a seguinte. Se o roteiro é frágil, com reviravoltas que se sucedem – e cada uma menos convincente que a outra –, como o boca a boca funciona a ponto de fabricar o êxito?

Pois é óbvio que o boca a boca está funcionando. O filme tem ação, como o público de Vin Diesel gosta. Tem fantasia. Mas se nada é especial – nem a trama nem os efeitos – , como se explica o estouro? Algo há de ter o filme de Breck Eisner para segurar o interesse. Será o estado do mundo? “Chaos has come again”, como dizia Shakespeare. No Brasil, a sensação de caos é tão acirrada que dá a impressão de que as bruxas estão soltas. Nesse quadro, chamar Vin Diesel parece ser uma boa solução que o público, pelo menos, está encampando.

 

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