Sascha Steinbach/EFE
Sascha Steinbach/EFE

Novo filme de Gael García Bernal recebe elogios no Festival de Berlim

Júri da Berlinale anunciará no sábado o longa vencedor do Urso de Ouro; 19 produções estão na disputa

AFP

22 de fevereiro de 2018 | 17h51

A Berlinale recebeu nesta quinta-feira, 22, com aplausos o filme mexicano Museo, no qual Gael García Bernal vive um enigmático estudante que, em 1985, ganhou as manchetes do país ao tentar executar um espetacular roubo no Museu de Arqueologia.

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Seu diretor, Alonso Ruizpalacios (Güeros), resgatou este acontecimento que manteve os mexicanos em alerta durante meses e obteve resultado: na exibição de seu filme, que disputa o Urso de Ouro, para a imprensa, o público, depois de ver algumas produções sombrias no festival, riu e recebeu a obra com gratidão.

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O filme exalta o México: sua história, sua cultura e suas paisagens, pelas quais Juan (Gael García Bernal) e seu amigo Wilson (Leonardo Ortizgris) viajam após ter roubado na noite de Natal um autêntico tesouro do Museu de Arqueologia.

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"Me interessa celebrar meu país. Estou muito orgulhoso de ter podido filmar no museu e em Palenque", onde há um complexo arqueológico maia no estado de Chiapas, disse Ruizpalacios em coletiva de imprensa em Berlim.

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Juan, um jovem estudante de Veterinária insatisfeito consigo mesmo e hostil com sua família, especialmente com seu pai (Alfredo Castro), convence Wilson, seu fiel amigo incapaz de contradizê-lo, de roubar o museu, que conhece muito bem por ter trabalhado nele.

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O roubo é facilmente executado, mas o que fazer com as peças depois? Os dois amigos não haviam previsto semelhante mobilização no país, atônito ante a perda de um tesouro histórico de valor incalculável, e ainda consternado pelo terrível terremoto que quatro meses antes havia deixado mais de 10 mil mortos.

Embora em Museo o espectador seja advertido de início de que se trata de uma "réplica" da história real, Ruizpalacios admitiu que os feitos "acabaram sendo um obstáculo" para o filme, no qual trabalhou em uma versão livre.

Tampouco as famílias dos dois assaltantes desejavam que o filme fosse feito e se negaram a participar. "De início nos pareceu um inconveniente, mas acabou sendo um presente", insistiu o cineasta.

À margem do espetacular roubo, rodado minuciosamente com muitos planos que se sucedem em um ritmo acelerado, Ruizpalacios desejava "refletir essa viagem interior de crime e castigo" dos personagens.

Surpresa. Mas da mesma forma que ainda não há nenhuma explicação oficial sobre o motivo do roubo, o diretor admite que depois de três anos explorando a personalidade do protagonista não teve uma resposta definitiva.

"Tudo nele era contraditório. É frustrante para os mexicanos, mas temos que viver sem saber" suas motivações.

Gael García Bernal, esperado na Berlinale na sexta-feira, surpreendeu ao aparecer durante a coletiva de imprensa, logo após aterrissar em Berlim, em meio aos aplausos dos jornalistas.

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Até o diretor do festival, Dieter Kosslick, entrou na sala para abraçá-lo e parabenizá-lo: "Você conseguiu!", disse ao ator de "Diários de motocicleta", que contou que agora está ensaiando uma peça de teatro.

Gael García Bernal admitiu que tinha apenas seis anos quando o roubo aconteceu. Lembra do terremoto, mas "nessa época quase não sabia o que era um museu. Na verdade não guardo nenhuma recordação", afirmou, sorrindo.

O júri da Berlinale anunciará no sábado o filme vencedor do Urso de Ouro dos 19 que estão na disputa, entre eles outro latino-americano, Las Herederas, do paraguaio Marcelo Martinessi.

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