Laurie Sparham
Laurie Sparham

Novo filme da Disney transforma uma história conhecida em algo diferente

‘O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos’ não traz a tensão do Natal

Mariane Morisawa, Especial para o Estado/Los Angeles

03 Novembro 2018 | 16h00

Com um Natal estressante se aproximando rapidamente, nada melhor do que se refugiar da compra de presentes e da ceia desconfortável com a família numa fantasia. Mesmo nos quentes trópicos, o balé O Quebra-Nozes, baseado na obra de E.T.A. Hoffmann, é uma tradição desta época do ano, com um boneco de madeira que ganha vida e é salvo por uma menina em paisagens nevadas. Mas o filme O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, dirigido por Lasse Halström e Joe Johnston e produzido pela Disney, transforma a história conhecida em algo diferente – tanto que o roteiro de Ashleigh Powell é “sugerido” pelo livro de Hoffmann. 

A heroína é Clara (Mackenzie Foy, que fez seu primeiro papel de destaque como a filha do vampiro Edward e da humana Bella na saga Crepúsculo). A adolescente perdeu a mãe recentemente e, na noite de Natal, recebe o último presente deixado por ela: uma caixinha musical, sem a chave. Para desvendar o mistério, a menina conta com a ajuda de seu padrinho, o inventor Drosselmeyer (Morgan Freeman). “Clara é determinada e ativa”, disse Foy em entrevista em Los Angeles. “Gosto porque ela é mecânica, ama ciência. Ao mesmo tempo, usa vestidos lindos. Tem vários lados diferentes, o que é legal.”

É assim que a garota vai parar em outro universo, dividido em Reino dos Flocos de Neve, Reino das Flores e Reino dos Doces, onde conhece, claro, o terrível Rei Rato e a Fada Plum (Keira Knightley), personagens famosos do balé. “Uma das razões pelas quais quis fazer o filme é por ser uma chance de ser boba”, disse Knightley. “Muito do trabalho que faço é sério e sutil, e aqui a sutileza foi banida. Só sabemos que ela é açucarada e doce.” A atriz se inspirou no tema mais famoso criado por Tchaikovski para criar a risada de Plum e daí surgiu sua voz fininha. Clara descobre que sua mãe foi uma grande amiga de Plum. O quarto reino, comandado pela tirana Mãe Ginger (Helen Mirren), precisa ser salvo. Os bailarinos Misty Copeland e Sergei Polunin e o maestro Gustavo Dudamel também participam da produção. Knightley, que viu o balé pela primeira vez aos 3 anos e ficou aterrorizada com o Rei Rato, acha sua filha, que tem essa idade, muito nova para assistir ao filme, mas gostou que Clara é inteligente e salva o mundo. 

A atriz ficou famosa por criticar certas histórias que renderam alguns dos clássicos desenhos da Disney. “Há certas mensagens que não sei se quero que ela receba. Por exemplo: Esperar que um homem rico a resgate. Não, ela precisa se salvar sozinha. Quero que ela saiba que não é legal um estranho te beijar quando você está dormindo, sem seu consentimento”, disse. “Mas, em termos de filmes da Disney, temos muitos. Em Moana – Um Mar de Aventuras, brilhante, ela se vira, salva o mundo. Frozen – Uma Aventura Congelante, que fala da sororidade. Divertida Mente, meu favorito, sobre uma menina lidando com suas emoções, de maneira tão inteligente. Temos muitos, só não temos aqueles das garotas esperando pelo resgate. Esses não entram em casa.” Keira Knightley se lembra que não havia nada disso quando ela era criança. “Quero que minha filha saiba que pode ser médica, engenheira, viajar o mundo, viver aventuras.” Que, afinal, lute como uma garota. 

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