Vincent Kessler/ Reuters
Vincent Kessler/ Reuters

'Novo Despertar', de Mel Gibson, tem recepção calorosa em Cannes

Após fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, filme de Jodie Foster é bem recebido no festival

NICK VINOCUR, REUTERS

17 de maio de 2011 | 12h52

O olhar irônico de Jodie Foster sobre a depressão e a terapia em "Um Novo Despertar" foi recebido com entusiasmo no Festival de Cinema de Cannes na terça-feira, assinalando que o filme pode ganhar nova injeção de ânimo na Europa depois de fracassar junto ao público norte-americano.

Com Mel Gibson em seu primeiro papel importante desde que uma série de escândalos maculou sua reputação em Hollywood, o filme fracassou em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos, com bilheteria de pouco mais de 100 mil dólares.

Mas uma plateia de críticos em Cannes, onde filmes introspectivos ou psicológicos frequentemente são mais bem recebidos que em qualquer outro lugar, riu alto em vários momentos da sessão e aplaudiu fortemente ao final.

"Um Novo Despertar" não está na competição pela Palma de Ouro de melhor filme. A história se desloca entre os registros cômico e dramático, acompanhando o personagem de Gibson -- um executivo-chefe paralisado pela depressão -- em uma terapia radical para reconquistar sua saúde mental.

Usando um castor com sotaque cockney britânico como fantoche de mão de um ventríloquo, o personagem de Gibson completa uma reviravolta radical em sua saúde mental enquanto revitaliza sua empresa de brinquedos, renova seus laços com sua mulher e reinicia sua vida.

Jodie Foster defendeu Gibson como ator e profissional, minimizando os problemas pessoais vividos por ele desde que vieram à tona gravações de sua postura antissemita e dele gritando com a ex-mulher.

"Ele é um ator notável: é capaz de mostrar o lado cômico e o sombrio", disse Foster, que já dirigiu três outros filmes também. "Sobretudo, ele compreende que os personagens enfrentam dificuldades. Ele é alguém que quer mudar, que não quer ser quem ele é, e isso também se aplica a Mel."

Indagada sobre como é dirigir Gibson, cuja vida particular estava turbulenta durante as filmagens, Foster o descreveu como "o ator menos neurótico" com quem já trabalhou e alguém que se dispõe a revelar-se na tela.

No filme, o personagem de Gibson começa em estado de depressão clínica profunda, bebendo até ficar bêbado e então tentando enforcar-se no chuveiro. Ele despenca na banheira, envolto na cortina do chuveiro.

Com sua temática sombria e senso de humor irônico, "Um Novo Despertar" não encontrou público nos Estados Unidos, mas o produtor do filme, Keith Redmon, disse que ainda tem esperanças de que faça sucesso em DVD e em outros mercados.

"Bilheteria não é tudo. Existem muitas maneiras de recuperar o que se gastou com um filme", disse. "Sabemos que será questão de tempo, e não apenas do primeiro fim de semana."

Jodie Foster evitou totalmente falar em dinheiro. "Já aprendi que, se você avaliar seu valor próprio nas bilheterias, você o lamentará," disse ela.

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