Novo "Casanova" conquista Veneza

O mais infame libertino de Veneza voltou para casa para seduzir a cidade como um dissimulado mas como um adorável sedutor no longa Casanova, do diretor sueco Lasse Hallstrom, exibido hoje no Festival de Veneza. Totalmente rodada no centro de Veneza, a nova versão romântica da vida de Casanova, o célebre aventureiro veneziano do século 17 e protótipo do Don Juan, encantou a platéia, que a aplaudiu generosamente por seu estilo leve e cômico. Na nova versão, o famoso sedutor vive uma aventura inédita: apaixona-se profundamente por uma jovem escritora de textos libertários e feministas, a bela Francesca (Sienna Miller), que o rejeita. "É uma feminista que ignora seus admiradores e se veste de homem para poder dar aulas na universidade", comentou a atriz. O filme, que não tem cenas de sexo, "é, antes de tudo, uma produção da Disney", comentou divertido Hallstrom, cuja obra se soma à lista de filmes que se inspiraram no controvertido personagem, entre elas a de Federico Fellini, realizada em 1976, programada este ano pelo festival. Com as primeiras cenas rodadas no Palacio Mocenigo, sobre o Grande Canal, a produção representou um verdadeiro desafio para uma das indústrias cinematográficas americanas que basearam sua fortuna em efeitos especiais e na reconstrução de ambientes. A histórica praça San Marco foi completamente transformada para que se apresentasse como era no século 17 para a filmagem, protagonizada por Heath Ledger, Jeremy Irons, Lena Olin e Sienna e que participa na qualidade de "hors concours" do festival veneziano. Mais de 500 extras trabalharam no final rodado no Grande Canal, com centenas de embarcações da época, fantasias espetaculares e fogos de artifício. "Viemos trabalhar nesta cidade porque é muito especial, tem uma atmosfera única", confessou Hallstrom, autor de Chocolate com Juliette Binoche. Cerac de 1.500 pessoas, a maioria venezianas, trabalharam na filmagem que durou dez meses. Só para rodar em Veneza, os estúdios contaram com um orçamento de cerca de 40 milhões de euros e tiveram como base o roteiro de Tom Stoppard, autor do campeão de bilheterias Shakespeare Apaixonado. O veterano ator inglês Jeremy Irons, quem filmou o ano passado na cidade das águas O Mercador de Veneza, interpreta agora o bispo Pucci, grande inquisidor enviado pelo Papa para julgar as heresias de Casanova. "É como o inspetor Clouseau", assegurou o ator, cuja comparação ao poderoso religioso motivou estrondosas gargalhadas. "Somos a Igreja Católica, conseguimos tudo", disse o bispo Pucci a uma mocinha à quem promete restituir a virgindade.O vestuário e a ambientação são fiéis à época, e a produção teve que eliminar os sinais das ruas, as antenas de televisão e outros elementos da vida moderna. Também empregou centenas de artesãos locais para a fabricação de gôndolas e vestidos de época."Uma história em parte verdadeira dita com mentiras, virtudes perdidas e amores encontrados", é o mote do filme, que embora irritará historiadores e estudiosos das memórias de Casanova, certamente será uma alegre diversão para o público.

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