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Novo 'Caça-Fantasmas' provoca discussão sobre a força das mulheres

Atrizes e diretor defendem o filme de críticas e contam como as filmagens foram divertidas

Dave Itzkoff / NEW YORK TIMES / LOS ANGELES, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2016 | 06h00

Na teoria, um novo filme dos Caça-Fantasmas seria sucesso garantido. Uma geração inteira depois que Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson defenderam Nova York de terrores paranormais e um gigantesco homem de marshmallow na superprodução cômica de Ivan Reitman, de 1984 (com uma sequência em 1989), e após anos de tentativas frustradas de retomadas e recomeços, parecia que era a hora certa para um novo grupo lidar com as mochilas de prótons e o Ecto-1.

E quem melhor para enfrentar esse desafio que Kristen Wiig, de Missão Madrinha de Casamento e sua colega, Melissa McCarthy, indicada para o Oscar, ao lado de Leslie Jones e Kate McKinnon de Saturday Night Live? E, além delas, por que não o diretor Paul Feig, que trabalhou com Melissa e luta por uma maior representação feminina em Hollywood?

Só que nem todo mundo está esperando, empolgado, a nova versão que chega nesta quinta, 14, aos cinemas brasileiros: desde o anúncio dos nomes das protagonistas, em janeiro, houve críticas intensas de uma parte do público que, embora não tenha visto o filme, já disse que ele não deveria ter sido feito e que o elenco feminino não passa de concessão à correção política.

Embora algumas estrelas do filme tenham revidado os ataques dos detratores machistas nas redes sociais e as acusações do tipo “Você arruinou a minha infância!”, outras evitaram se manifestar. Entretanto, as atrizes e o diretor se reuniram para falar da produção e da briga feia e oportuna, embora inesperada, que começaram.

Como grupo, às vezes pareciam mais um quinteto atrapalhado e risonho, comentando e completando as piadas uns dos outros – mas também se revelaram defensores apaixonados de seu trabalho e da equipe, conscientes do que o debate sobre “os caça-fantasmas” realmente diz em relação ao sentimento das pessoas sobre a questão de gênero, na tela e fora dela.

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Na sequência, trechos da entrevista com as atrizes e o diretor de Caça-Fantasmas.

Para vocês, o Caça-Fantasmas original foi importante?

Melissa McCarthy: Foi, sim. Eu era criança e adorava todos os personagens, o jeito como eles se uniram, essa coisa engraçada, heroica. Adoro anti-heróis, gente que não faz nada muito significativo, mas vai lá brigar e se dá bem.

Leslie Jones: Eu achava o Bill Murray muito engraçado porque não se assustava com nada. Mesmo quando alguma coisa acontecia, ele fazia piada. Olhava aquilo e pensava: “Ah, é assim que eu quero ser”.

Kate McKinnon: Nasci no ano que ele foi lançado. Não lembro bem a data. (risos)

Paul, como surgiu a ideia de fazer um novo Caça-Fantasmas?

Paul Feig: (O produtor Ivan Reitman) tinha o roteiro de uma sequência e ficou todo empolgado, perguntou se eu queria dirigir. A ideia era que o time original passaria os macetes da tecnologia para um novo grupo. Aí a (ex-vice-presidente da Sony) Amy Pascal me perguntou por que nenhum diretor de comédia aceitava o projeto. Disse que era porque o filme era meio sagrado e dava medo mexer com os atores, mas ela insistiu: “Pois aí está uma excelente franquia esperando para ser explorada”. Aquilo ficou na minha cabeça. Gente engraçada correndo perigo, combatendo a paranormalidade com tecnologia, é uma ideia sensacional; aí comecei a pensar como seria a minha abordagem. “Ah, todas as mulheres engraçadas com quem trabalho e com quem quero muito trabalhar me deixaram ainda mais animado. Deveriam ser as filhas deles? Ah, se eu pudesse refilmar!”

Em algum momento vocês perceberam que uma parte do público talvez não fosse gostar muito do resultado por causa da premissa do filme e o fato de o elenco todo ser feminino?

Melissa: Você quer dizer gente doida?

Leslie: Você quer dizer as pessoas que não sabem que é filme?

Kristen Wiig: Durante as filmagens não me dei conta, não. Feig: Você e a Kate ficaram numa boa porque estão fora das redes sociais. A Leslie e eu penamos. Somos os brigões na lama digital.

Melissa: Durante as filmagens, Paul trouxe várias fotos de meninas fantasiadas, com direito a macacão e mochila de prótons e tal. Achei o máximo e percebi que parte do público estava mais que preparada.

Leslie: Só acho que o filme não é para essas pessoas que ficam reclamando que o filme arruinou a infância delas.

Kristen: É gente que precisa de terapia.

Melissa: A verdade é que a infância desse pessoal já estava arruinada. E se é um filme que vai estragar tudo, sinal que a coisa já era bem frágil. É legal recordar; só tem uma porção minúscula de reclamões. 

Por que tem gente que vê essas superproduções de fantasia, como o novo Guerra nas Estrelas ou o seu filme, como campo de batalha para ideias sociais?

Feig: Acho que é a velha guarda agonizando. Faz uma minoria irrisória gritar mais alto porque está perdendo o controle. Eu entendo o estranhamento se alguém for fazer um remake de O Poderoso Chefão (1972), por exemplo, mas quando vem criticando, querendo saber se é só para ganhar dinheiro... Tudo que foi e é feito em Hollywood, desde o início dos tempos, foi e é pelo lucro.

Tem gente que não gosta da ideia de um filme com um elenco só feminino?

Kate: É um conceito relativamente novo. Acho que começou com Missão Madrinha de Casamento e veio crescendo.

Leslie: Me surpreende, porque a mulherada vem fazendo muita coisa boa há anos. 

Melissa: É um medo de que se você colocar duas mulheres, dois homens têm que sair. Tem espaço para todo mundo. 

Vocês sentem que fazem parte das vidas umas das outras depois de fazer esse filme?

Kristen: Não dá para participar de uma experiência dessas e não fazer parte da vida uma da outra para sempre.

Leslie: A impressão que tenho é a de que travamos uma batalha juntas. Elas são como irmãs para mim.

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