Alfredo Estrella/AFP
Alfredo Estrella/AFP

Novo 007 chega ao México com Bond Girl e suspeita de suborno

'Spectre' será rodado no país, que nega ter pago para roteiro não apresentar violência e drogas

Fernanda Brambilla, especial para o Estado, Cidade do México

18 Março 2015 | 19h14

Um James Bond com problemas existenciais, um cenário perigoso cercado pelo narcotráfico mexicano, e uma nova Bond Chic, ou melhor, Chica. Spectre, o novo capítulo da saga do espião 007 estrelado por Daniel Craig e dirigido novamente por Sam Mendes (Skyfall, 2012), está previsto para estrear em 9 de novembro, e iniciará suas filmagens nos próximos dias no México e contará com uma beldade do país.

Nesta quarta-feira, 18, em coletiva na Cidade do México, o produtor americano Michael G. Wilson, envolvido em títulos da franquia desde 1985 com A View to a Kill, apresentou a nova figura feminina do filme, a bela morena Stephanie Sigman, atriz mexicana de 28 anos que dará vida a Estrella.  Stephanie conquistou notoriedade no cinema latino depois de protagonizar Miss Bala, filme mexicano do diretor Gerardo Naranjo de 2011 que rodou festivais relevantes internacionais e foi indicado a prêmios Ariel e Goya, além da mostra paralela Un Certain Regard de Cannes daquele ano.  


Magra, de longos cabelos negros, olhos castanhos e uma beleza natural, Stephanie deu de ombros frente à grande pergunta que sempre ronda as personagens femininas das histórias de Bond. "Não estou preocupada em ser sexy. Sei que há um estereótipo muito forte, mas estou tentando não pensar nisso." Há cerca de três semanas, a atriz conheceu o colega de trabalho, com o qual se disse encantada, em Londres para os primeiros testes de câmera.

Em Spectre, espectadores devem conhecer a Cidade do México como cenário de grandes perseguições, a começar pela primeira sequência do filme, que será gravada na capital mexicana. A ideia de filmar no país, que recebe um filme de Bond pela quarta vez, veio da busca por "um lugar muito colorido e com uma mística particular", nas palavras do produtor. "O que queríamos fazer nós só conseguiríamos aqui, não há nenhum outro lugar no mundo igual a aqui." Na cena mais difícil planejada até agora, serão 500 extras no Zócalo, praça central da Cidade do México, para uma perseguição que vai enveredar por ruazinhas estreitas e construções históricas.

O novo filme retoma a vida de Bond depois de uma série de decepções. "Daniel (Craig) aceitou essa franquia porque queria levar o personagem ao passado dos livros de Flemming. Ele está entre muitos conflitos, e Daniel é magistral nisso, em projetar essas emoções e dilemas contidos. Esse, aliás, é um grande trunfo dos títulos e uma das razoes por que a série nunca termina. Cada filme se molda a seu Bond, são desenhadas em torno a ele. Sean Connery era mais duro, Roger Moore tinha um coração mais leve, agora Daniel. Esse é o segredo."

Suspeita de suborno

Para a imprensa mexicana, a notícia da chegada da equipe de filmagens de James Bond veio com um escândalo: uma denúncia de que o governo mexicano teria oferecido entre US$ 14 e 20 milhões por mudanças no roteiro do filme e evitar que o país fosse retratado de forma pejorativa, principalmente quanto à conhecida e temida violência urbana e a guerra ao narcotráfico. Há rumores de que o vilão da história, que terá nacionalidade italiana, antes era mexicano - e este seria uma das alterações conseguidas no esquema. A denúncia foi publicada no site americano especializado em temas tarifários Tax Analyst e, segundo a publicação a cifra teria sido vazada no caso do hacker sofrido pela Sony Pictures no ano passado. 

No roteiro original, segundo a teoria, Daniel Craig viria a México para deter um assassino que quer liquidar o presidente deste país. Entre as alterações pedidas por autoridades mexicanas que teriam negociado com o estúdio, o personagem teria passado a ser um líder internacional e o Distrito Federal mexicano teria ganhado mais tempo de exposição na telona, de 4 a 9 minutos de cenário no novo 007. A publicação deu detalhes sobre o suposto acordo, como a imposição de que o vilão não poderia ser mexicano, a polícia mexicana não seria mencionada nenhuma vez, além da exigência de uma atriz nacional no elenco principal. 

Mas Michael G. Wilson negou qualquer tipo de negociata. "O governo do México não teve nada a ver com o roteiro e não teve nenhuma influência em definir papeis", afirmou, taxativo. "Eu mesmo quando li essa notícia fiquei surpreso e achei um absurdo." De acordo com o produtor, não houve mudanças bruscas no roteiro em nenhum momento. O vilão, que terá nacionalidade italiana, será casado com o personagem de Monica Bellucci, outra beldade do elenco. Essa parte do filme, aliás, já foi filmada previamente em Roma, Itália. "E quanto aos incentivos, posso esclarecer que em todos os lugares nos dão algum tipo de incentivo, às vezes em relação a impostos ou algum tipo de cooperação.

Mas neste caso particular contamos com uma empresa privada que se uniu ao projeto para apoiar o turismo e eles nos deram apoio e financiamento", acrescentou Wilson. "O governo mexicano nos ajudou dando autorizações e mediando encontros com empresas." Sobre a imagem do México na produção, ainda mais atualmente que o país enfrenta dias de manifestações intensas, Wilson explicou-se: "É claro que discutimos com a polícia, mas sobre atuação, testamos a veracidade das situações. Não estamos aqui para tratar de política. Em todos os filmes de Bond mais modernos tentamos fugir disso. Albert Broccolli (lendário produtor da saga) me disse um dia durante a guerra fria, Não vamos fazer chineses e russos como vilões personagens sim, mas não seus países. Estamos aqui para fazer um filme de ação. E aqui será igual."


Um mal-estar inspirado

Foi do diretor Sam Mendes a escolha da mexicana Stephanie Sigman para o papel de Estrella, algo que surpreendeu até a própria atriz. "O roteiro sempre foi muito secreto, então me chamaram para refazer uma cena de um filme antigo de Bond. Mas bem nesse dia eu acabei no hospital, com intoxicação alimentar", conta a atriz. "No fim, fiz a cena na minha casa, gravei e mandei. Demorou tantos meses  que eu já tinha até esquecido, jamais imaginei que algo passaria (risos). E logo me chamaram para conhecer Sam. Foi algo que eu fiz de que ele gostou."

O produtor concorda. "Quando vimos o vídeo que ela mandou, ela se sobressaía sobre todas. Sam me disse: chega de buscar, é ela", conta Wilson. "Ela é fantástica para o papel, e não posso contar nada mais."

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