Nova York e a banalidade do terror em filme pós 11/9

'People, Histórias de Nova York' mostra cotidiano da cidade se confundindo com os traumas da tragédia

André Mascarenhas, do estadao.com.br,

07 Outubro 2018 | 20h22

Embora a tragédia de setembro de 2001 esteja presente, ainda que de forma difusa, em várias cenas de People, Histórias de Nova York (The Great New Wonderful), a cidade traçada por Danny Leiner no filme que será exibido na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é indiferente a qualquer trauma que o atentado possa ter causado.   Especial da 31.ª Mostra   E não poderia ser diferente. Passado exatamente um ano do ataque contra as torres gêmeas, a rotina parece se impor naturalmente aos sete protagonistas do filme, todos moradores da cidade. São histórias que se enquadram em qualquer grande cidade americana: um casal que tenta manter o relacionamento aceso apesar dos problemas com o filho obeso e anti-social; uma ambiciosa confeiteira que sonha em ser celebridade; um contador neurótico em embate constante com seu terapeuta; uma idosa sufocada por anos de matrimônio infeliz; e uma dupla de seguranças hindus que tenta manter o equilíbrio apesar dos humores antagônicos de cada um.     A quase banalidade dos enredos coloca ao espectador uma pergunta cuja resposta o próprio diretor parece evitar: mas afinal, existe uma relação direta entre as dificuldades vividas por aquelas pessoas e o atentado ocorrido exatamente um ano atrás?   "Depois de tudo o que aconteceu, nada mudou", diz , a certa altura, uma das personagens, numa referência tácita ao ataque de um ano atrás. De fato, as dificuldades de relacionamento, a competição, o individualismo e a solidão intrínsecos à vida na metrópole permanecem os mesmos de antes do atentado. O que Leiner parece querer indicar, no entanto, é que, com a crueza das cenas do 11 Setembro, tudo ficou mais explícito e, conseqüentemente, insuportável.   A verdade é que não há nem como confirmar e nem como descartar a relação entre os dilemas vividos pelos personagens de People, Histórias de Nova York, e o atentado terrorista. Ao que parece, os oito enredos - dos sete personagens, mais o 11 de Setembro - são uma mesma história, em que não há como dissociar as causas das conseqüências.

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