Nova York de volta à catástrofe no cinema

Os americanos adoram destruir Nova York, mas a piada perdeu a graça depois do 11 de setembro e a cidade foi poupada da destruição até em O Homem Aranha. Agora, o apocalipse nova-iorquino vem do mar. Na mais nova aventura do diretor Roland Emmerich, criador de Independence Day e Godzilla, ele decidiu destruir praticamente tudo o que existe acima do Trópico de Câncer. Em O Dia Depois de Amanhã, não sobra nada: da histórica Itália, passando pela Índia, Rússia e Japão. E, claro, Nova York. O inimigo agora é a própria natureza - que é invencível. Mas não custa tentar derrotá-la. E é o que faz o climatologista Jack Hall (Dennis Quaid), que depois de presenciar, na Antártida, a separação de um pedaço de gelo do tamanho do estado americano de Rhode Island, tenta avisar os líderes mundiais de uma catástrofe natural que congelaria todos os países do Norte, simplesmente porque o aquecimento global interromperia as correntes marítimas e levaria o mundo a uma nova Era Glacial. Todos o ouvem, exceto o vice-presidente americano, que nem quis olhar o relatório. E o documento nem bem esfria na mesa dele quando uma onda de enormes furacões devasta a cidade de Los Angeles. A rapidez da natureza, frisa o diretor, é pura ficção, baseada no best-seller do escritor Whitley Strieber. Mas é essa "licença poética" que interessa no filme. Os efeitos especiais são dignos de aplausos. Emmerich começa pegando leve, mostrando uma rua de Tóquio atingida por pedras de gelo do tamanho de bolas de boliche. Depois, devasta Los Angeles. Então, chega a hora do prato principal: Nova York. Talvez a melhor cena de O Dia Depois de Amanhã seja a inundação de Manhattan. Uma onda gigantesca invade a Quinta Avenida. Em seguida, quando os prédios pequenos já estão sob as águas, começa a nevar. Vem o furacão e a temperatura despenca 100° Celsius em questão de minutos: tudo é petrificado, da Estátua da Liberdade ao Empire State. Para convencer o público dos desastres, a produção utilizou 400 mil galões de água quente, ventiladores enormes, alavancas hidráulicas, blocos de gelo, e mais de mil produtos importados de Nova Délhi, para a cena da capital da Índia. Tudo foi gravado durante o inverno rigoroso de Montreal, no Canadá. Como em toda megaprodução, uma história de amor e heroísmo nada original tempera os 120 minutos de espetáculo. Jack Hall vai a pé da cidade da Filadélfia até Nova York para salvar o filho, que se encontra enclausurado em uma biblioteca com a mulher amada. Em meio aos desastres, Emmerich insere uma cena engraçadíssima, que é até um deleite para os latino-americanos. Tentando fugir do gelo, milhares de americanos se atropelam para atravessar a fronteira do México. O presidente mexicano só abre a fronteira para os imigrantes ilegais com a condição de ter toda a dívida externa perdoada. Nos Estados Unidos, O Dia Depois de Amanhã já está sendo considerado o filme predileto do Partido Democrata, porque fica clara a intenção do diretor de espetar a política ambiental de George W. Bush. Até a imprensa americana já mudou o nome do longa. Agora ele se chama O Filme que a Casa Branca não Quer que Você Veja.

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