Nova geografia do cinema tenta escapar de Hollywood

Enquanto as produções européias perdem terreno para o cinema norte-americano, alguns surpreendentes bolsões na Ásia e América Latina vêm oferecendo considerável resistência à produção arrasa-quarteirão de Hollywood. Na atual geografia do cinema, conforme dossiê do Centre National de la Cinématographie (CNC - www.cnc.fr), Coréia do Sul, Japão, Hong Kong e Argentina ganham relevo por conseguir emplacar diversas produções nacionais entre suas maiores bilheterias de 2000.Da Ásia chegam as cinematografias mais fortes, como também sugere as recentes seleções dos principais festivais de cinema do mundo. Na Coréia do Sul, entre as dez maiores bilheterias, cinco são nacionais, incluindo o primeiro lugar, Joint Security Area, de Chan-wook Park, que desbancou o Gladiador, de Ridley Scott, e Missão Impossível 2, de John Woo e com Tom Cruise. Os coreanos produziram no ano passado 56 filmes, 13 a mais do que em 1999.Hong Kong também conseguiu manter cinco produções nacionais entre suas dez maiores bilheterias, mas deixou os dois primeiros lugares com Hollywood: Missão Impossível 2 e o desenho de computação gráfica Toy Story 2. O hit de Tom Cruise também foi a maior bilheteria no Japão, que conseguiu emplacar quatro produções entre os dez filmes mais vistos.Na Argentina, apesar da crise, a produção nacional foi responsável por quatro das dez maiores bilheterias e 20% de toda a arrecadação das bilheterias. O filme argentino mais bem colocado, atrás apenas de Dinossauro e Missão Impossível 2, foi Nove Rainhas, de Fabián Bielinsky. Dinossauro também liderou as bilheterias mexicanas em 2000. O país teve três filmes nacionais entre os dez mais vistos.Europa - De resto, Hollywood segue dando as cartas, aproveitando-se também da crescente dificuldade encontrada por produções européias no mercado distribuidor e exibidor. O dossiê do CNC aponta que, de 40% em 1999, a participação de filmes europeus nas bilheterias da Comunidade Européia (CE) deva cair para cerca de 26% neste ano. No balanço geral da CE, as nove principais bilheterias vieram de Hollywood, e em 10º lugar aparece a co-produção anglo-americana A Fuga das Galinhas. As três maiores bilheterias foram Gladiador, Toy Story 2 e Beleza Americana, de Sam Mendes.Mesmo países de forte tradição cinematográfica sofreram em 2000. Na Espanha, todos as dez principais bilheterias são de Hollywood. Na Alemanha idem. Itália, com Chiedimi se Sono Selice, e Suécia, com Bem-vindos, conseguiram emplacar o primeiro lugar nas bilheterias, mas não puderam comemorar mais do que isto.EUA e Brasil - Ao contrário do que exige de outros países, os Estados Unidos seguem dando pouquíssimo espaço a produções estrangeiras em seu próprio território. Embora 116 títulos tenham chegado ao país, sua distribuição marginal só permitiu participar em 0,4% da receita total. Das dez produções que mais faturaram em 2000, todas americanas, Grinch ficou em primeiro lugar, com US$ 253 milhões, seguido de Missão Impossível 2, com US$ 215 milhões, e Gladiador, com US$ 186 milhões.O Brasil não aparece no dossiê, mas, conforme levantameto da publicação Filme B, 2000 foi um ano relativamente bom em termos de bilheteria. E não só por causa de megalançamentos como Xuxa Popstar e O Anjo Trapalhão. Guel Arraes e seu Auto da Compadecida e Andrucha Waddington com Eu Tu Eles ajudaram a fazer com que o cinema nacional tivesse no ano passado um público 42% maior que em 1999.Ainda é pouco - Foram apenas 23 filmes lançados no mercado interno, que abocanharam minguados 6% do mercado. E, embora seja cedo para precisar os resultados em 2001, ranking da mesma Filme B indica até agora oito filmes americanos entre os dez mais vistos em 2001, além da co-produção A Fuga das Galinhas. O único brasileiro da lista, e que ocupa o primeiro lugar nas bilheterias, não é nenhum dos premiados filmes que recentemente chegaram aos cinemas, como Bicho de Sete Cabeças. O sucesso do ano, até agora, é Xuxa Popstar.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2001 | 15h59

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