Sony Pictures
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Nostalgia e criatividade entram na fórmula de 'Ghostbusters'

Diretor Jason Reitman disse ter feito o filme, cujo tema é a família, ouvindo os conselhos do pai, também cineasta

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

18 de novembro de 2021 | 05h00

Durante a preparação para promover o lançamento do novo Ghostbusters nos cinemas brasileiros, o diretor Jason Reitman contou como foi importante ter seu pai ao lado dele, no set. “Ele me ajudou com conselhos valiosos. Foi um set familiar para um filme cujo tema é a família.” Ghostbusters – Mais Além (Afterlife, no título em inglês) estreia nesta quinta, 18. Nos EUA, ganhou 73% de aprovação no site Rotten Tomatoes, mas os críticos top torceram o nariz. Azar deles. É ótimo. 

Lançado no Brasil como Os Caça-Fantasmas, o Ghostbusters original nasceu como um projeto de Dan Aykroyd para John Belushi e ele. A morte prematura do amigo, vítima de uma overdose, em 1982, levou-o a reformatar o roteiro. 

Embora com três papéis masculinos fortes – e um quarto, para uma mulher –, Ghostbusters terminou centrado em Bill Murray. As melhores linhas, as melhores cenas ficaram para o personagem dele, um panaca completo, mas dotado de charme inegável. Três amigos professores, cientistas. Expulsos da Columbia University, usam suas habilidades para fundar uma firma de caça-fantasmas. 

Agregam-se o tresloucado Rick Moranis e Ernie Hudson. Na fantasia do primeiro Ghostbusters, Manhattan é assolada por uma onda de poltergeists, os fantasmas barulhentos. O trio anuncia na TV, vira o maior sucesso midiático. Caçar fantasmas torna-se uma atividade milionária e glamourosa. 

O portal de entrada dos poltergeists é o prédio em que Sigourney Weaver mora, mais exatamente, o refrigerador no apartamento dela. Em 1970, Michelangelo Antonioni explodira o refrigerador, como símbolo da sociedade de consumo, em Zabriskie Point. Em plena era de Ronald Reagan, o garoto-propaganda do neoliberalismo econômico, o que está em jogo é o próprio sistema, ameaçado por um gigantesco fantasma de... marshmallow! 

Até hoje tem gente se interrogando sobre tamanho sucesso. Efeitos, humor, elenco carismático. Só isso não explica. Aos olhos do público, havia algo mais – uma certa ideia de contestação ao american way of life, talvez? 

Nas pegadas do primeiro filme, surgiram duas séries animadas para TV. Em 2000, a revista Total Film fez uma enquete e Os Caça-Fantasmas ficou em 44.º na lista das cem melhores comédias de todos os tempos. Em outra enquete, do American Film Institute, ficou em 28.º. Em 2005, o IGN, Imagine Games Network, considerou o filme como a melhor comédia de todos os tempos. 

Em 2014, uma versão remasterizada chegou aos cinemas e a nova geração de espectadores adorou. Hollywood sentiu que havia demanda e, dois anos depois, surgiu a versão feminina – ou feminista? –, com a engraçada Melissa McCarthy. A versão dirigida pelo filho do diretor do primeiro filme, Ivan Reitman – Jason –, é a que chega agora. 

Na cena de abertura, algo está se passando na fazenda isolada em que vive o velho caçador de fantasmas, Spengler. “Eles” estão de volta. Corte – na cidade grande, a filha do homem acossado está falida, com um casal de filhos na escola. A morte do pai levanta uma possibilidade de herança, mas ele só deixou dívidas. No mundo agora rural, mamãe envolve-se com o professor de literatura do curso de verão. O novo portal dos fantasmas está em uma mina. 

Lembram-se do temido Zuul do primeiro filme? O fantasma-mor agora é Gozer, terrível. A neta é uma cientista nata, como o avô. Vai prosseguir com suas pesquisas e ajudar a esclarecer o nó górdio da vida da mãe – o avô, afinal, não gostava da filha? 

Efeitos, humor, família. Tem até bonecos minúsculos de marshmallow! Uma nova geração de caçadores de fantasmas. No elenco, Carrie Coon e Paul Rudd têm química, as “crianças”, McKenna Grace e Finn Wolfard, são uma graça. Jason assimilou os conselhos do pai e fez um belo trabalho. Nostalgia + originalidade. 

O filme é dedicado “a Harold”. Harold Ramis formava o trio básico com Dan Aykroyd e Bill Murray. Aykroyd e ele assinavam o roteiro. Em 1993, fez Feitiço do Tempo, um dos mais cultuados da década. O filme mostra Murray como o homem do tempo que vê o Dia da Marmota repetir-se indefinidamente. Conseguirá sair, retomar sua vida? Mais Além é um regalo. E, para fãs do primeiro filme, uma viagem imperdível. 

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