'Nossa Vida Não Cabe num Opala' tem clima realista

Filme premiado em festivais como o Cine Ceará e o Cine PE estréia nesta sexta em SP e no Rio

REUTERS

08 Agosto 2014 | 15h19

Premiado em festivais como o Cine Ceará e o Cine PE, em abril, Nossa Vida Não Cabe num Opala é o filme de estréia do diretor paulista Reinaldo Pinheiro e assentou seu caminho em polêmicas. A produção estréia nesta sexta-feira, 15, em São Paulo e Rio de Janeiro.   Veja também: Trailer de 'Nossa Vida Não Cabe num Opala'    Foto: Divulgação Na verdade, a referência ao carro no título já rendera problemas antes mesmo de o filme começar, independentemente do fato de que o ponto de partida fosse uma peça de teatro já montada e vencedora do prêmio Shell, Nossa Vida Não Vale um Chevrolet, do dramaturgo paranaense radicado em São Paulo Mário Bortolotto. Poucas semanas antes das filmagens, em 2007, a GM não autorizou o uso da marca Chevrolet, que se manteria no título do filme. A produção pensou, então, neste novo nome. Opala, que também é um carro da GM, foi aceito pela empresa. Segundo o diretor, "por ser um produto, não uma marca, e já estar fora de linha". A circulação do filme em festivais, apesar dos prêmios, abriu espaço a outra polêmica, por causa das duras críticas de Bortolotto ao roteiro do filme, assinado por Di Moretti, que foi contratado pelo diretor. Indagado sobre o assunto, o premiado Di (autor dos roteiros de Cabra Cega, Latitude Zero) sempre se esquivou à polêmica, alegando que foi contratado pelo diretor para o trabalho e que, em adaptações, sempre ocorre o que ele chama de "um desrespeito saudável" à obra original, como ele declarou no Cine Ceará. Apesar das diferenças entre a peça e o roteiro, o filme mantém-se fiel ao espírito da história original, que tem influências das obras tanto de Nelson Rodrigues quanto de Plínio Marcos. A família central da história é formada por quatro pessoas marginalizadas, os irmãos Monk (Leonardo Medeiros), Lupa (Milhem Cortaz), Slide (Gabriel Pinheiro, que fez o mesmo papel no teatro) e Magali (Maria Manoella). O pai (Paulo César Pereio) está morto mas "conversa" com os filhos em aparições constantes. Monk e Lupa são ladrões de carros, com nítida preferência pelos Opalas. Monk exerce o "trabalho" com amargura, deixando para trás um passado de boxeador de algum talento. Lupa, ao contrário, gosta do que faz e não tem nenhum outro sonho ou ambição.  Slide, o caçula, também leva jeito para o boxe, mas sente-se atraído para a vida marginal dos irmãos. Magali, a única mulher dos quatro, é musicista de gosto clássico, mas, para sobreviver, toca órgão numa churrascaria. Ela não aprova a vida criminosa dos irmãos, tenta manter alguma dignidade, mas no geral mostra-se apática. Bonita, ela está sendo assediada por um gângster, Gomes (Jonas Bloch). Neste ambiente realista e violento, uma personagem surreal é Silvia (Maria Luisa Mendonça). Trata-se de uma mulher que seduz sucessivamente os três irmãos, seguindo sempre um mesmo ritual: ela mostra uma fotografia, abre uma garrafa de vinho e fala de coisas aparentemente desconectadas com a situação presente.

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