Nos cinemas, Xeque-Mate, estrelado por Bruce Willis

Começa e termina num terminal de transporte de passageiros e esta é uma das raras coisas que se pode dizer de "Xeque-Mate" sem se arriscar a tirar a graça do filme escrito por Jason Smilovic e dirigido por Paul McGuigan, que estréia nesta sexta-feira na cidade. Josh Hartnett e Bruce Willis estão no elenco, secundados por feras - Morgan Freeman, sempre poderoso, Ben Kingsley, Stanley Tucci (que, num registro completamente diferente, faz um gay bem gay em "O Diabo Veste Prada", que estréia na próxima sexta, 22). É uma história de amor e morte - e de vingança, embora esta última informação já prepare um pouco o espectador para o que é melhor ele nem saber.Talvez, é o melhor conselho, o bom seja deixar para ler este texto depois, ficando apenas a indicação de que vale ver "Xeque-Mate". Smilovic escreveu seu roteiro há quase dez anos. Foi em 1997 que lhe surgiu a história desse sujeito azarado, um jovem que, de repente, se vê no centro da guerra entre duas famílias de gângsteres de Nova York. A idéia é engenhosa. Numa esquina, existem dois prédios, um de frente para o outro. Na torre de cada um deles, instala-se um chefão - o Chefe e o Rabino, cada um com seu séquito de assassinos de aluguel e tão temerosos um do outro que não se atrevem a sair do próprio esconderijo. Morgan Freeman é o Chefe e Ben Kingsley faz o Rabino. Seqüestram o jovem Hartnett e não lhe oferecem outra alternativa senão a de matar, por eles.O espectador que assiste ao desenrolar da trama fica pensando como o herói conseguirá se safar, até porque existe, à caça dele, esse superassassino, tão duro de matar que é interpretado por Bruce Willis, que traz para o papel a persona que esculpiu na série de filmes criada por John McTiernan. A trama é complicada, cheia de reviravoltas e referências ao próprio cinema - como o personagem com o qual Cary Grant é confundido em Intriga Internacional e que nem existe, pois é só um nome no clássico de Alfred Hitchcock. Essa trama vai sendo revelada por meio de sucessivos flash-backs que fazem recuar a narrativa e, às vezes, até parecem redundâncias. Estariam ali apenas para referendar o que já foi dito, mas na verdade estão sempre acrescentando uma informação a mais, algo que o espectador não viu.É um quebra-cabeça que lembra um pouco os de Christopher Nolan e Darren Aronofsky. Como mostrar, o que mostrar, quando mostrar? Foi onde entrou o diretor McGuigan. Nasceram um para o outro, Smilovic e ele. Poderiam ter feito um frio exercício de estilo de cinéfilos, mas usam a história de amor de Hartnett e Lucy Liu para adoçar a narrativa. É um bom filme. Talvez seja até melhor, mas isso só o tempo dirá. Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, EUA/2006, 109 min.) - Aventura. Dir. Paul McGuigan. 16 anos. Em grande circuito. Cotação: Bom

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