Nos cinemas, <i>Paixão sem Limites</i>, de David Mackenzie

Festival de Berlim do ano passado. Paixão sem Limites concorre ao Urso de Ouro. Com o título original de Azylum, o filme de David Mackenzie provoca frisson pelo tema e também pelo roteiro, adaptado por Patrick Marber do romance Manicômio, do inglês Patrick McGrath. Marber é o autor da peça Closer, que Mike Nichols transformou em filme lançado no Brasil como Perto Demais. O próprio Marber adaptou sua peça para Nichols. Em Berlim, o diretor escocês Mackenzie disse que sua escolha de Marber passou, claro, por Perto Demais. Sabendo do interesse do autor teatral pelo cinema - e apreciando sua qualidade como dialoguista ácido -, ele achou que Marber seria o parceiro ideal para um filme que trata dos limites da paixão. A trama se passa em Londres, no fim dos anos 50. Trata do triângulo que se estabelece quando médico ambicioso vai trabalhar num instituto psiquiátrico que abriga criminosos. O médico é obcecado pelo trabalho. Negligencia a mulher, interpretada por Natasha Richardson, filha de Vanessa Redgrave e Tony Richardson. Ela, por sua vez, fica obcecada por esse jardineiro que foi condenado pelo assassinato brutal da mulher. A paixão sem limites, o adultério, o jardineiro, tudo isso levou mais de um crítico a definir o filme de Mackenzie como uma versão do seriado Desperate Housewives reescrita pelo autor de Perto Demais. Se você acha que Mackenzie ficou ofendido, enganou-se. Ele disse que não pensou especificamente em Desperate Housewives, mas que podem existir similaridades de temas e, como diretor, ele não conseguiria dizer ao público como tem de ver o filme dele. O espectador faz as ilações que pode, ou quer. A proximidade com Perto demais é evidente. Como a peça de Marber e o filme de Nichols, o de Mackenzie também é um estudo de relações humanas e sexuais. Ambos, na verdade os três, exploram o desejo, os limites da paixão e o tema da infidelidade. Ao embarcar na sua paixão sem limites, Natasha corre o risco de desestabilizar não apenas seu casamento, mas a própria vida na instituição a que seu marido pertence, como lhe diz o personagem de Ian McKellen. Tanto quanto Desperate Housewives, e aí você entende por que o diretor diz que cada um faz a ilação que pode, também se poderia ver aqui algo de O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence, já que a questão de classe tangencia o relato. O grande problema é o limite da paixão. A própria Natasha parece estar enlouquecendo de desejo. O filme pode não ser bom, mas levanta questões pertinentes. O neozelandês Marton Czokas, visto em Cruzada e A Supremacia Bourne, faz o jardineiro infiel. Há quem ache que o papel exigia um ator mais carismático, ou mais sexy. Veja para dizer se concorda, ou não. Paixão sem Limites (Asylum, Inglaterra-Irlanda/2005, 100 min.) - Drama. Dir. David Mackenzie. 16 anos. Espaço Unibanco 2 - 15h, 17h10, 19h20, 21h30. Morumbi 4 - 14h, 16h, 18h, 20h, 22h (sáb. também 0h). Sala UOL - 14h, 16h, 18h, 20h, 22h. Unibanco Arteplex 9 - 13h, 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (sáb. também 0h). Cotação: Regular

Agencia Estado,

03 Novembro 2006 | 11h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.