Nos cinemas, <i>A Menina e o Porquinho</i>, com Dakota Fanning

Chama-se A Menina e o Porquinho, mas deveria chamar-se A Aranha e o Porquinho. Pois se Wilbur, o porquinho de primavera, com seu desejo de ver a neve do inverno, é o protagonista do filme que Gary Winick adaptou do livro de E.B. White, mais do que a amizade da menina é a da aranha, Charlotte, que lhe garante o sonho de não virar torresmo no Natal. Na série de filmes com animais, este não é tão bom quanto Babe, nem mesmo Stuart Little, mas as crianças e até os adultos poderão se encantar com a fábula que trata do próprio ciclo da vida.É o tema do filme que tem o sugestivo título original de Charlotte´s Web (A Teia de Charlotte), mesmo que a história trate de outras coisas - amizade, dedicação, inteligência. E perda. Toda a história de Wilbur é, no fundo, uma história de sobrevivência, que começa quando ele, recém-nascido, vai ser sacrificado porque é o 11.º filhote e sua mãe porca tem só dez tetas. Sem o leite materno, Wilbur vai morrer e seu dono apenas antecipa o inevitável, pegando o machado para matá-lo. A intervenção da menina (Dakota Fanning) garante a sobrevida de Wilbur, mas daqui a pouco ele não pode mais viver como um porquinho de estimação dentro da casa e é enviado para o celeiro, com os demais animais.É aí que Wilbur descobre o que é ser um porquinho de primavera (no Hemisfério Norte). Ele estará crescido no inverno e deverá transpor o portal daquela construção sinistra na frente do celeiro, na qual porcos são assados e transformados em torresmo. Os demais bichos domésticos parecem indiferentes à sorte de Wilbur, mas não Charlotte, a aranha. Ela vai tecer uma teia de solidariedade que envolverá até o rato desprezível. Vai tecer outras teias, com textos, que transformam Wilbur numa celebridade, reconhecida pela mídia como ´o porquinho incrível´.Por mais que um filme desses seja sentimental e até piegas, por mais que tenha excesso de música para carregar na emoção, há algo de impressionante em A Menina e o Porquinho. É o trabalho com os animais. Charlotte, quando fala e ocupa o primeiro plano, é obviamente uma criação virtual, mas a produção usa cavalos, gansos, bois e vacas e, claro, porquinhos de verdade, misturados de uma forma tão perfeita com os bichos animados, virtuais, que se torna difícil, mesmo para o olhar ´adulto´, discernir quem é o quê. Na entrevista que deu esta semana ao Estado, o superprodutor Jerry Bruckheimer disse que hoje não existem limites para o que se pode mostrar (e contar) no cinema. O limite é a imaginação, já que a tecnologia tudo viabiliza. Charlotte salva Wilbur, mas existem outras perdas no filme. A idéia é esta. Chega um momento em que a própria menina vai descobrir um interesse romântico e (quase) sumir da história. Vida, morte, as novas amizades, o ciclo da natureza. Para crianças, Wilbur pode ser um regalo. A Menina e o Porquinho (Charlotte´s Web, EUA/2006, 97 min.) - Aventura. Dir. Gary Winick. Com Dakota Fanning. Livre. Em grande circuito. Cotação: Regular

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