Nos cinemas do País, a maior estréia em 3D da história

Técnica desdenhada por Hollywood no passado, o 3D ressurge como grande aposta para reconquistar os espectadores que andam preferindo o DVD às salas de cinema. Nesse contexto, o título em português para o novo longa-metragem de animação da Disney, Meet The Robinsons - A Família do Futuro - soa até como trocadilho. O filme entrou nos cinemas americanos na semana passada e já entrou para a história como a maior estréia em formato 3D de todos os tempos. Fez US$ 25,1 milhões como vice-líder nas bilheterias, provando que os executivos dos maiores estúdios de cinema do mundo estão certos em investir na tecnologia que faz os filmes saltarem da tela.Lá, as cópias em 3D de A Família do Futuro ocuparam 581 das 3,4 mil salas que exibem o filme - e estas renderam US$ 7,1 milhões. Aqui, o filme estréia nesta sexta-feira, 6, com 240 cópias, mas duas delas são em 3D - Cinemark Eldorado, em São Paulo, e NorteShopping (UCI- Kinoplex), no Rio. Os ingressos da sala especial do Eldorado custam R$ 20, e podem ser comprados com uma semana de antecedência, tanto nas bilheterias do cinema quanto pela internet.Como é a única sala da cidade e esta é a primeira estréia em 3D - até agora, os filmes entravam em cartaz ali depois de já estarem no resto do circuito -, dá para prever que os ingressos estarão concorridos, mesmo sendo mais caros.A produção em 3D pode elevar em US$ 15 milhões o orçamento de um filme, mas numa conta de padeiro os executivos hollywoodianos estão chegando à conclusão de que o investimento compensa. Já perceberam, aliás, que o público não só será atraído para as salas pela tecnologia como também estará disposto a pagar mais para ver um filme - a previsão é que o preço suba entre 10% e 15%. O frisson é tão grande que já se fala em ´revolução´. A DreamWorks Animation SKG (de Shrek)), por exemplo, anunciou que a partir de 2009 produzirá todos os seus filmes no formato e a própria Disney criou um estúdio em parceria com o diretor Robert Zemeckis (de O Expresso Polar) só para produção de filmes tridimensionais. A Columbia Pictures também se mostra animada: fez incríveis US$ 15 mil por sala de exibição em 3D quando estreou A Casa Monstro no ano passado, 2,5 vezes mais do que obteve com as cópias bidimensionais.Mas a brincadeira não é restrita à animação. Veremos em breve Harry Potter e A Ordem da Fênix, quinto filme da série e previsto para julho, em 3D, além de O Homem Aranha 3, e várias outras produções com atores de carne e osso. Já é estudada a possibilidade de se transmitir partidas esportivas ao vivo e shows no formato.No Brasil, a rede Cinemark, única com os projetores especiais, estuda a expansão das salas 3D. A próxima será instalada no Rio, no Cinemark Downtown, mas ainda não há previsão de inauguração. Para São Paulo, entretanto, não há nada definido.Amor e tecnologiaMelhor não dizer isso às crianças, mas vale a pena mesmo enfrentar uma fila nessas duas salas para a ver a projeção de A Família do Futuro em três dimensões. É claro que, uma vez querendo apostar nessa tecnologia, a Disney fez do filme uma experiência incrível. Esqueça aquelas projeções lisérgicas dos parques de diversões, que davam enjôo nos adultos e assustavam as crianças: em A Família do Futuro, a chuva parece de verdade, o robô mais simpático do filme pula da tela para brincar com alguém na platéia.Baseado no livro de William Joyce e dirigido por Steve Anderson, o filme conta a história de um pequeno e amalucado gênio da ciência, Lewis, que vive num orfanato, à espera de uma família. Mas justamente por ser genialmente amalucado, ele espanta os candidatos a pais - "Claro, senão não teria filme", concluiu minha filha. Isso quer dizer que aquela marca infalível dos roteiros Disney permanece a mesma - a transmissão de bons valores, nesse caso, amor familiar e respeito às diferenças -, e a maneira como ela é integrada com tecnologia de ponta também. Uma pitada de humor, a grife Disney e, pronto, sucesso.Há ainda uma melancolia saudável no ar, emoldurada pela trilha sonora de Rufus Wainwright, interpretada por ele e por Jamie Cullum, e devidamente amenizada pelas estripulias dos personagens cômicos. A melhor sacada do roteiro está no jogo entre o que pode ser uma família futurista de desenho animado - algo na linha de Os Jetsons, da Hanna-Barbera - e o modelo tradicional de família, onde o mais terno amor une as pessoas. Sem pieguismo, note-se, mas por outro lado sem a dose de realismo que se vê em Arthur e Os Minimoys, a superprodução do diretor francês Luc Besson, ainda em cartaz na cidade. A Família do Futuro (Meet the Robinsons, EUA/2007, 102 min.) - Animação. Dir. Stephen J. Anderson. Livre. Em grande circuito. Cotação: Ótimo

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