Nos bastidores da festa do Oscar, a palavra dos vencedores

Segundo os organizadores do Oscar, a cerimônia durou exatamente 3 horas, 51 minutos e 45 segundos. Mas pareceu muito mais longa, com a apresentação meio morna de Ellen DeGeneres, que não foi nem engraçada nem crítica como tentaram, com mais ou menos sucesso, seus antecessores. Diante da TV, os espectadores ouviram monótonos agradecimentos, enquanto nos bastidores os jornalistas obtiveram comentários muito mais interessantes...Confira as palavras de Martin Scorsese, Forest Whitaker, Helen Mirren, Alan Arkin e Jennifer Hudson, os principais premiados na cerimônia de entrega da 79.ª edição do Oscar da Academia de Hollywood. Martin Scorsese chegou ao Kodak Theatre, na tarde de domingo, abraçado à mulher Helen e à filha Cathy, e terminou sua jornada, já na madrugada, agarrado ao Oscar de melhor diretor, que vencera no final da cerimônia. "Ainda estou espantado com tudo o que aconteceu, pois eu estava cético em relação às minhas chances", disse ele, durante o Baile do Governador, tradicional festa oferecida pela Academia de Hollywood aos vencedores e perdedores. Cerimônia em que todos batem o ponto mesmo com outra festa em mente. Na coletiva de imprensa que seguiu depois de sua premiação, Scorsese, 36 anos de carreira, premiado também pelo Sindicato dos Diretores, foi novamente aplaudido, o que o deixou surpreso. "É um momento consagrador para mim".Scorsese não escondia a felicidade por receber o Oscar das mãos de seus velhos companheiros. "Foi uma volta no tempo, sabe? Conheço Steve Spielberg desde 1968. Francis Coppola e George Lucas, desde 1970. Eles me influenciaram - Francis, na verdade, tem sido um grande irmão ao longo desses anos. Nós nos ajudamos nos primeiros 12 anos de nossas carreiras, um auxiliando o outro quase como uma escola particular de cinema. E vê-los os três juntos ali no palco, me dando uma olhada antes de abrir o envelope, meu Deus, foi inesquecível." Forest Whitaker, melhor ator por O Último Rei da EscóciaForest Whitaker, como sempre, fez referências aos seus ancestrais nos agradecimentos. Depois, nos bastidores, falou aos jornalistas: "Sabe, em minha carreira, jamais caminhei sozinho: eu me apóio em ombros que me sustentam, que me inspiram. Foi essa força exterior que o ajudou a encontrar o caminho certo para interpretar Idi Amin, homem responsável pela morte violenta de centenas de pessoas enquanto governou Uganda. "Meu ponto de partida foi descobrir que Idi Amin foi um garoto que trabalhava na plantação de açúcar, que brincava com seus irmãos e irmãs, correndo como qualquer criança", disse. "Foi uma maneira de contrapor aos seus piores momentos, aqueles em que sacrificou inutilmente a vida de tantas pessoas. Não pretendi humanizá-lo, apenas descobrir suas diversas faces." Whitaker lembrou-se também de ter presenciado a estréia do filme em Uganda, quando provocou grande comoção. "Apesar de triste, a história foi bem recebida pelo povo e pelo governo e seus generais", lembrou-se. "Todos consideraram de extrema importância a lembrança daquele período, que não deve mais se repetir." Helen Mirren, Oscar de melhor atriz por A RainhaMesmo convivendo com a história da família real inglesa ao longo dos últimos meses (ela não só interpretou Elizabeth I como também sua filha, Elizabeth II), Helen Mirren revelava a grande dificuldade que enfrentou com o trabalho. "Interpretar um personagem de ficção permite ao ator criar com certa liberdade; já ao viver o papel de alguém que existiu (e, no caso de Elizabeth II, ainda é viva) torna-se um desafio que chega a intimidar", contou ela, durante a entrevista coletiva.A atriz lembrou que reproduzir gestos e entonações não era uma tarefa tão complicada - bastava observar os inúmeros registros de Elizabeth II. "O que me realmente interessava era descobrir a psicologia dessa mulher", observou. "Seu perfil é bem conhecido, reproduzir seu corte de cabelo não era tão complicado, mas seus sentimentos sempre ficaram escondidos, como bem reza a tradição real. Esse era meu principal desafio e o que me deixou realmente motivada a enfrentar a intimidação." Alan Arkin, ator coadjuvante por Pequena Miss SunshineComo o avô cético que viveu em Pequena Miss Sunshine, Alan Arkin, 72 anos, jurou não acreditar em competições entre artistas. "Não sou hipócrita o suficiente para acreditar que tive a melhor interpretação do ano", começou Arkin, que só compareceu à entrevista coletiva depois de terminada a cerimônia, preferindo ficar na platéia torcendo pelo resto da equipe. "Quem tem autoridade para dizer o que é melhor? Se cem pessoas dizem que tal atuação é a melhor, enquanto outras 50 preferem um trabalho diferente, por que, nesse caso, a maioria tem razão?" Arkin lembrou-se com ternura dos momentos que viveu em cena com a menina Abigail Breslin, que interpreta sua neta. "Ela não parece ser uma adolescente, mas sim uma senhora com 40 anos de carreira", elogiou.Jennifer Hudson, atriz coadjuvante por DreamgirlsA cantora e atriz não parecia muito diferente da personagem que interpretou na tela. E, da mesma forma que a persistente cantora em busca do sucesso, não se sentiu intimidada quando Eddie Murphy, companheiro de filme e também virtual vencedor, não foi premiado. Contraditória, Jennifer demonstrava nervosismo com a premiação e segurança de que levaria a estatueta para casa. "Bom, é preciso que todos lembrem as premiações anteriores, das quais participaram as mesmas pessoas que votaram para o Oscar. Isso dá uma certa segurança, mas é impossível não ficar tensa", disse a atriz, negando os rumores que houve atritos entre ela e as outras intérpretes. A cantora eliminada no reality show American Idol dedicou o prêmio á avó, que cantava no coro da igreja e a incentivou a ser também uma cantora.

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