'Noite Sem Fim' e 'Cake – Uma Razão para Viver' estão entre as estreias desta quinta-feira (30)

Nacionais 'Anna K' e 'Entre Abelhas' também estão na lista.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 11h16

Em uma semana com nove estreias, há atrações para todos os gostos. Filmes nacionais (Anna K e Entre Abelhas), de ação (Noite sem Fim) e com indicações a prêmios (Cake – Uma Razão para Viver) estão entre as opções.

Anna K – Companheiro de Jorge Mautner e José Agripino de Paula no movimento Kaos, José Roberto Aguilar demorou, mas tambérm faz sua estreia como diretor nesse longa que se alimenta de suas experiências com video. A trama apropria-se do clássico Anna Karenina. A fotografia de Aloysio Raulino e a interpretação de Leona Cavalli somam ao resultado, mas não é para todos os gostos.

Trailer de 'Anna K'

Cake – Uma Razão para Viver. Indicada ao Globo de Ouro pelo papel, Jennifer Aniston tem aqui a atuação que a crítica norte-americana definiu como sendo de uma ‘lifetime’, de uma vida inteira. Ela faz dependente que frequenta grupo de vapoio e, quando uma colega morre, se aproxima do marido dela como uma tábua de salvação. Daniel Barnz dirige bem, não apenas Jennifer, mas também Sam Worthington e Anna Kendrick.

Trailer de 'Cake – Uma Razão para Viver'.

Entre Abelhas – Campeão do humor, Fábio Porchat, que também é cronista do Estado, realiza aqui sua experiência dramática, com base num roteiro que escreveu há nove anos, quando não era ‘ninguém’, com o hoje diretor do Porta dos Fundos, Ian SBF. O próprio Porchat faz Bruno, que, de repente, começa a ver as pessoas desaparecerem ao redor. Na origem do projeto, está o desejo de ambos, do ator e diretor, de discutir a grave questão da invisibilidade social. Tem suas qualidades, mas não é o que o público está acostumado a ver num filme do ‘astro’.

Trailer de 'Entre Abelhas'

Garotas – A diretora Céline Sciamma, de Tomboy, faz o que não deixa de ser O Sexo e as Nega em versão francesa. Uma visão da periferia, com seus condicionamentos e preconceitos. Quatro garotas unem-se para enfrentar tudo isso, mas a vida insiste em separá-las. A protagonista tem cortagem de assumir que não quer a vida dita ‘normal’, com marido e filhos. Mas então o quê? O filme é bom, e se tem algum problema é o de ir pouco além do que seria o fim (em aberto).

Noite sem Fim – Embora sua bilheteria tenha ficado abaixo da expectativa nos EUA, esse é o melhor filme de Liam Neeson como herói de ação, até porque se trata, na verdade, de uma tragédia familiar. Neeson e Ed Harris são amigos e parceiros na criminalidade, mas um problema com os filhos vai colocá-los em campos opostos. E Neeson, de pai omisso, vai arriscar tudo para defender Joel Kinnaman, o RoboCop de José Padilha. O espanhol Jaume Collet-Serra dirige de olhos no cinema clássico de gângsteres.

Para o Que Der e Vier – Criador da série Mad Men, Matthew Weiner mostra como a viagem de dois amigos, por ocasião da morte do pasi de um deles, muda a vida de ambos. O que parece comédia com Owen Wilson e Zach Galifianakis ganha subtexto dramático. Mas ao contrário da tragicomédia de Entre Abelhas, Para o Que Der e Vier não carrega na crítica e tenta se equilibrar no humor doce/amargo.

O Pequeno Quinquin – A via oposta de Entre Abelhas e Para o Que Der e Vier. Bruno Dumont, grande diretor de dramas, tenta o humor e se sai muito bem. Numa pequena cidade da região em que ele filmou A Humanidade, dupla bizarra de policiais investiga crimes também bizarros. O Quinquin do título é um garoto meio estranho que reúne os amigos, mais estranhos ainda, para também investigar. Feito para TV, o filme é longo (200 min), mas vai ser difícil desgrudar o olho.

Quando Meus Pais não Estão em Casa – Diretor que venceu a Caméra d’Or em Cannes, em 2013 – com Ilo-Ilo –, Anthony Chen, de Singapura, conta a história de garoto que se liga a doméstica filipina e isso provoca o ciúme de sua mãe. O filme devolveu o jovem diretor (31 anos) à seleção de Cannes, mas dessa vez na Quinzena dos Realizadores. O garoto é ótimo.

Três Corações – Benoit Poelwoorde se envolve com Charlotte Gainsbourg e, na sequência, com Chiara Mastroianni sem saber que são irmãs. Catherine Deneuve faz a mãe e com esse elenco, mais a direção de Benoit Jacquot, é claro que você vai conferir o filme que representou a França no Festival de Veneza, no ano passado. Artificial, dramalhão, muitos adjetivos já foram usados para desqualificar Três Corações. Desconfie. A mobilidade de câmera de Jacquoit vale sempre qualquer sacrifício.

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