Noite de contrastes revela "novo" Sérgio Rezende

Muita gente esteve nesta quinta-feira prestigiando a 4ª noite do Festival de Gramado que apresentou o longa brasileiro Quase Nada, de Sérgio Rezende, e a produção uruguaia El Viñedo, de Esteban Schroeder. O brasileiro Quase Nada, filme de baixo-orçamento em relação às grandes produções de Sérgio Rezende como Canudos e Mauá ? O Imperador e o Rei, já esteve na Mostra Brasil e Independentes, em São Paulo, onde foi bastante elogiado, e repete o sucesso em Gramado.Contando três histórias discretamente interligadas, o filme fala de sentimentos de maneira simples, mundana e ruralista. Em Quase Nada as personagens ruminam inveja, ciúmes, amor e ódio, e regorgitam suas paranóias em forma de violência. A morte e sua iminência são constantes nas vidas dessas pessoas do campo que, como define o próprio diretor, "não conhecem Freud e nem Marx, não ficam se analisando sociologicamente". O título de cada uma das histórias é reflexo dessa violência, desse medo, Foice, Veneno e Machado. Essas histórias são baseadas em contos de Guimarães Rosa, Maximo Gorki e Jorge Luis Borges, adaptos livremente por Rezende.O filme revela também uma atuação fantástica dos atores, com destaque para Camilo Bevilacqua (que interpreta Compadre no primeiro conto), Caio Junqueira (que faz Ernani no terceiro), Genezio de Barros (o Ademir da segunda história) e Ana Luiza Rabello (a Glorinha, da terceira parte). Na sua maioria pouco conhecidos do grande público, por trabalharem mais em teatro do que em televisão. "Foi ótimo trabalhar com atores de teatro, eles tiveram um profissionalismo excelente, com um resultado muito intenso e bonito", disse Rezende. Já o ingênuo El Viñedo revela o amadorismo de seu diretor, Estaban Schroeder. Com uma história interessante - o caso-verdade de um garoto assassinado por ter roubado um cacho de uvas num vinhedo ? o diretor se perde entre querer fazer uma novela mexicana e um filme de televisão americana. Alguns atores, como o protagonista Danilo Rodríguez, até convecem, mas diversos fatores contam contra o filme. O roteiro apresenta lugares-comuns e estereótipos entediantes. A história é acompanhada do ponto de vista de um repórter que investiga o assassinato paralelamente à polícia. Em meio ao desenrolar da trágica trama, ele vai dançar mambo com a namorada num bar de Montevidéu numa cena improvável. O protagonista ainda se entrega à sua matéria e chega até a esbarrar na censura interna do jornal. Mas isso não é o suficiente para fazer de El Viñedo um bom filme.

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