Noitão temático do Cine Belas Artes investe no medo

Temático, como sempre, o noitão do Belas Artes, que se realiza na segunda sexta-feira do mês, não poderia deixar de aproveitar as possibilidades oferecidas pela data. Agosto, sexta-feira 13, costuma ser associado a medo, a terror. O noitão de hoje homenageia o ator e diretor José Mojica Marins, o Zé do Caixão, internacionalmente conhecido como Coffin Joe, exibindo À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Num outro agosto 13, que não era sexta-feira, nasceu em Londres (em 1899), o futuro mestre do suspense, Alfred Hitchcock. A intenção de André Sturm, distribuidor e exibidor que promove o evento mensal no Belas Artes, era exibir um grande filme de Hitchcock. Ele escolheu Ladrão de Casaca, mas recuou porque a cópia não estava em boas condições. Resolveu, então, reverenciar indiretamente o gênio de Hitchcock, por meio de um filme - de suspense, claro - do mais aplicado de seus discípulos, Brian De Palma. No início, os críticos achavam que De Palma era só um plagiador. Com o tempo, descobriu-se que tinha um estilo e preocupações próprias. O plagiador passou a ser considerado criador. Sturm exibe hoje Vestida Para Matar, com Michael Caine, Angie Dickinson e Nancy Allen. E o noitão não estaria completo sem o o filme surpresa, intermediário do programa que, desta vez, investe no medo. Para relaxar, depois de liberar o Id no escurinho do cinema, você chega de manhã ao café que completa as emoções do noitão. Tudo pelo módico preço de R$ 15. Considerado um clássico do horror nacional, À Meia-Noite Levarei Sua Alma possui todas as características que costumam ser associadas a José Mojica Marins. A produção de 1964 é de baixo (baixíssimo) orçamento, carrega no sexo e na violência. Zé do Caixão é o coveiro de uma pequena cidade, obcecado pela idéia de gerar o filho perfeito. Para isso violenta (e tortura) mulheres. Violenta a namorada do amigo, mas ela se mata, prometendo voltar à meia-noite para levar sua alma. Em Vestida para Matar, De Palma não busca a lógica e sim as emoções do espectador. Surge a história do assassino da dona de casa suburbana, que depois caça prostituta que se associou ao filho da vítima para chegar até ele. Como bom discípulo de Hitchcock, De Palma paga tributo à famosa cena da morte de Marion Crane no chuveiro, em Psicose. E a partitura de Pino Donaggio contribui para o clima.Noitão Sexta-Feira 13 - HSBC Belas Artes - Sala Villa Lobos. Rua da Consolação, 2.423, 3258-4092. Hoje, meia-noite. R$ 15.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.