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‘Noitão’ reverencia reis da violência no Belas Artes nesta sexta-feira

Peckinpah e Tarantino dividem a tela de três salas do conjunto com filmes que entraram para a história

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2015 | 03h00

Fãs do cinema violento, visceral não podem perder o Noitão de fevereiro no Belas Artes. Vão se encontrar esta noite, dia 27, na tela de três salas do complexo Sam Peckinpah e Quentin Tarantino. Dois filmes de Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança e Sob o Domínio do Medo), mais um de Tarantino (Cães de Aluguel) e em cada sala – Villa-Lobos, Cândido Portinari e Oscar Niemeyer – haverá um filme surpresa para completar a seleção de três programas cada um. Dos mesmos autores ou de outros que dialogam com eles? Como já é tradicional, os ‘sobreviventes’ ganham o kit de café da manhã às 7 h de sábado.

Tarantino vive lembrando que não teve uma formação acadêmica. Seu eclético gosto foi forjado quando ele trabalhava numa locadora e ficava o dia todo vendo filmes – de gênero, principalmente. Antes disso, ainda era criança quando assistiu a Cruz de Ferro. O filme de guerra de Peckinpah adota o ponto de vista dos nazistas. Na época, 1977, fez sensação a cena em que a prostituta, forçada a fazer sexo oral no soldado de Hitler, arranca a genitália dele com uma dentada.

Uma típica cena de Peckinpah, mas não foi essa que marcou o garoto Quentin. Ao canal Sins of Cinema, ele revelou – “Aquele final (de Cruz de Ferro) me marcou: explosões em slow motion, sangue por todo o lugar. Pessoas agonizando, baleadas. E as sequências do filme começam a ficar muito gráficas, longas. De repente você se pergunta: como isso foi acontecer?” Outra pergunta que Tarantino deve ter-se feito – como a gente pode ir mais longe? De alguma forma ele foi – em Pulp Fiction/Tempo de Violência, Bastardos Inglórios e Django Livre.

Quando Meu Ódio/The Wild Bunch irrompeu nas telas, o western já deixara de ser o gênero norte-americano por excelência e vinha sendo objeto de desmi(s)tificação. O próprio John Ford filmara o crepúsculo dos heróis – em O Homem Que Matou o Facínora, de 1962, mesmo ano em que Peckinpah fez Pistoleiros do Entardecer. Peckinpah só fez endurecer o tom, incrementar os tiroteios – sem perder a perspectiva crítica. Os pistoleiros de Meu Ódio promovem banhos de sangue e só se redimem na mística do grupo que os une. O pacato professor Dustin Hoffman pega em armas e promove outro banho de sangue para proteger a cidadela do lar profanado em Sob o Domínio do Medo. Comparativamente, os gângsteres de Cães de Aluguel falam muito e batem/matam pouco, mas era só o começo de Tarantino.

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