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Noitão leva fantasmas do espaço para o Cine Belas Artes em SP

'Alien', 'Vampiros de Almas' e 'O Homem Que Caiu na Terra', com David Bowie, estão no programa do evento

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 11h33

Agosto antigamente era chamado de mês do desgosto. O 13 é um número considerado de má sorte. Agosto, sexta-feira 13, é o cúmulo do azar, mas este mês a sexta-feira foi 14 - ufa! Isso não impede o Belas Artes de nesta sexta-feira, 21, à 0h, fazer o tradicional Noitão, que privilegia o terror... no espaço. E que tal passar a noite entre naves e alienígenas sinistros? Como sempre, a programação se desenvolve em três salas do complexo da Rua da Consolação. Cada uma exibirá três, sendo dois surpresa, o que significa que o espectador só saberá qual é o programa na hora. Pela manhã, os sobreviventes da maratona receberão um kit 'breakfast'.

Se alguém perguntar qual a ficção científica mais influente do cinema, a resposta, invariavelmente, será 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Mas se a pergunta for sobre fantasia de terror, a ficção científica mais assustadora, as chances são de que o espectador aponte... Alien, o Oitavo Passageiro, de Ridley Scott.

Uma das salas, a 1 - Villa Lobos, vai apresentar um programa inteiramente dedicado à saga do alienígena. Começa com O Oitavo Passageiro e prossegue, na sequência, com Aliens - O Resgate, de James Cameron, e Alien 3, de David Fincher. Sigourney Weaver aparece em todos como a oficial Ripley. No primeiro, ela enfrenta o monstro gerado no ventre do homem. No segundo, os alienígenas se multiplicam e Ripley tem de dar cabo de todos para salvar uma garotinha. No terceiro, os monstros são da mente, como ocorre com frequência no cinema de Fincher.

Na sala 2 - Cândido Portinari, o primeiro programa será Vampiros de Almas, a influente fantasia de Don Siegel sobre vagens gigantescas que geram clones que substituem as pessoas numa pequena cidade. Sam Pèckinpah, o futuro grande diretor, faz um pequeno papel e os críticos até hoje discutem se Siegel estava criticando o macarthismo, que ainda era um fenômeno recente da vida norte-americana, ou o comunismo, como sistema massificadsor.

Provavelmente, ambos. Vampiros de Almas teve várias refilmagens, algumas bastante fieis, outras, disfarçadas. Entre os que disfarçaram está John Carpenter, mas ao invés de Eles Vivem, o Noitão mostra outro filme do diretor - Fantasmas de Marte, que, pensando bem, rouba alguma coisa de Siegel na história dos seres etéreos que se apossam dos corpos de astronautas para expulsá-los de Marte. O terceiro programa da noite, na sala, é o surpresa.

Na Sala 5 - Carmem Miranda, o programa inicial é O Homem Que Caiu na Terra, de Nicolas Roeg, com David Bowie. Adaptado do livro de Walter Tevis, é uma variação de O Mágico de Oz, com pitadas de E.T., quer só seria feito depois (O Homem é de 1976). David Bowie faz um alienígena que vem parar na Terra. Ele passa o filme bebendo água - em seu planeta distante, a mulher e os filhos morrem de sede. Bowie, que se chama Newtron, quer voltar. Une-se a algumas pessoas na Terra para criar uma corporação e construir uma nave, mas ele nunca consegue voltar. Arruina-se no sexo e na bebida. Quando desde sua pele de terráqueo, não reconhece mais o alienígena que foi. Quem nunca viu, não pode perder. Roeg que fotografou os melhores e mais belos filmes de terror de Roger Corman, fez uma fábula invertida de iniciação. É o relato sobre um homem que se perde, ao invés de se encontrar. Um relato trágico.

Na sequência, passa Guerra dos Mundos, a versão de Byron Haskin, dos anos 1950. O terceiro filme é surpresa, mas bem poderia ser a versão de Steven Spielberg com Tom Cruise, dos anos 2000, que é melhor - além de integrar a trilogia informal do autor sobre a 'América' no pós 11 de Setembro (O Terminal, Munique e War of the Worlds).

VEJA OS TRAILERS:

Alien, O Oitavo Passageiro

Vampiro de Almas

O Homem que Caiu na Terra

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