Noitão do Belas Artes está de volta com pré-estreias e surpresas

Entre os programas que vão ocupar três salas do complexo, estão 'Miss Violence', 'A Bela e a Fera' e 'Sin City 2'; confira os horários

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 20h56

Havia cinéfilos esperando pela volta do Belas Artes só por causa do Noitão, na terceira sexta-feira do mês. A ideia de varar a madrugada vendo filmes e ainda ter direito a um café da manhã sempre foi sedutora para aquele tipo de espectador descolado - moderninho? Os mais assíduos sempre foram os jovens, mas a curiosidade pelo ‘clássico’ ou pelo ‘filme surpresa’ já levou muito ‘melhor idade’ a encarar o desafio. O Noitão desta sexta promete. A partir das 23h30, vai ocupar três salas do complexo, e cada uma delas vai exibir três filmes. Cada sala - Villa-Lobos (295 lugares), Cândido Portinari (274) e Oscar Niemeyer (151) -, vai exibir programas parcialmente diferenciados. Dois filmes vão se repetir em salas diferentes, e o público poderá escolher na hora seu filme surpresa, esse sim, mudando em cada uma delas.

As pré-estreias são - Sin City 2, de Robert Rodriguez e Frank Miller, sequência de Sin City com roteiro baseado na HQ A Dama Fatal; Miss Violence, do grego Alexandro Avranas, vencedor de dois prêmios no Festival de Veneza do ano passado - melhor diretor e ator (Themis Panou); Juntos para Sempre, do argentino Pablo Solarz; e A Bela e a Fera, que Christophe Gans adaptou do conto de M. Leprince de Beaumont, com Léa Seydoux e Vincent Cassel. Tem gente que até hoje se indaga que júri encheu de prêmios um filme como Miss Violence. Os mais entusiasmados dizem que o filme reflete uma crise moral como espelho da crise econômica que assola a Grécia. Esse valor, digamos, sociológico não tem correspondente na estética de choque do diretor Avranas. 

O começo já define o clima. É pegar ou largar - uma garota, sem mais nem menos, atira-se de uma janela para a morte. A história é de um patriarca - autoritário, claro - que transforma a própria casa num bordel. Só para lembrar, numa de suas peças mais características - Os Sete Gatinhos, transformada em filme por Neville D’Almeida -, Nelson Rodrigues já mostrou um contínuo que prostitui quatro das cinco filhas, mantendo a quinta virgem como troféu para um casamento que favoreça a família inteira. Quem viu Sin City e gostou da estética PB com ocasionais lampejos coloridos, imitando as HQs, vai continuar se divertindo com a sequência. Eva Green é a própria dama fatal, e quem viu a atriz exalar sexualidade em outra recente experiência visual/sensorial - 300, Ascensão do Império - pode ir se preparando porque ela volta mais perigosa ainda. 

Juntos para Sempre retoma o espírito de filmes como O Magnífico, de Philippe de Broca, e Quando Paris Alucina e Como Matar Sua Esposa, de Richard Quine, nos anos 1960. Um roteirista vive tão imerso em suas fantasias que nem se abala ao descobrir o adultério da mulher. Ele a substitui em sua vida, mas, na ficção, o ‘fantasma’ da ex o assombra a ponto de ele não conseguir mais distinguir o que é realidade, ou não,

E, claro, há a suntuosa versão de A Bela e a Fera de Christophe Gans, o diretor de O Pacto dos Lobos, também com Vincent Cassel. Gans ama a ação como os efeitos, e sua adaptação da história famosa privilegia uma intriga paralela, sobre ladrão que invade palácio para pilhar a fortuna da fera. 

Em Berlim, onde A Bela e a Fera encerrou o festival deste ano, em fevereiro, o cineasta disse ao repórter que não quis fazer remakes do filme famoso de Jean Cocteau nem da animação da Disney. “Cocteau fez um belíssimo filme para celebrar seu amante, Jean Marais. A minha versão apoia-se no fato de que Léa (Seydoux) não é apenas bela. É uma atriz de recursos, que transpira intensidade e sensualidade em cena.” Lógico que, sendo surpresa, os demais três filmes do Noitão só serão conhecidos pelo público na hora. Poderão ser cults, clássicos ou novidades. Boa sorte.

NOITÃO CAIXA BELAS ARTES

Caixa Belas Artes. Rua da Consolação, 2.423, tel. 2894-5781. Das 23h30 de 6ª (19) até a manhã de sábado (20). R$ 30. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.