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Noitão de terror do Belas Artes traz Jason e Freddy Krueger

Gênero produz um questionamento interessante: como se filma o inominável? Se a entidade do filme só existe no escuro, como mostrá-la ao espectador no cinema, que é luz?

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2016 | 16h42

É a pergunta que não quer calar – a mãe de Quando as Luzes se Apagam é louca, está dominada pela entidade que se apossou de sua mente ou finge para proteger os filhos? Pois repetidas vezes Maria Bello adverte a sinistra Daiana para que deixe seus filhos em paz. No final, toma uma decisão radical, mas até chegar ao desfecho o terror de David F. Sandberg, produzido por James Wan, já cumpriu duplamente sua proposta. Criar imagens assustadoras e, na contrapartida, resolver a questão crucial. Como se filma o inominável? Se a entidade do filme só existe no escuro, como mostrá-la ao espectador no cinema, que é luz?

O produtor e diretor Wan, nascido na Malásia, há 39 anos, tornou-se o novo Midas do terror em Hollywood. Ele dirigiu o primeiro Jogos Mortais e produziu os demais, dirigiu Sobrenatural 1 e 2, Invocação do Mal 1 e 2, produziu Annabelle. Money, money, money. E sustos, sustos, sustos. Wan dirigiu também Velozes e Furiosos 7, que arrebentou nas bilheterias de todo o mundo, num outro registro, o da ação intensa. É 'o' cara. É verdade que sempre houve essa tendência do público de gostar de sentir medo estando seguro no escurinho dos cinemas. Nos anos 1930, diretores como o lendário James Whale elevaram o terror à condição de uma das mais belas artes, criando todos aqueles Dráculas e Frankensteins com Bela Lugosi e Bortios Karloff. Nos 40, em plena guerra, o produtor Val Lewton criou toda uma escola de terror baseada na sugestão, e surgiram clássicos como Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur, várias vezes refilmado.

Nos 50, na Inglaterra, a Hammer e o diretor Terence Fisher introduziram a cor e o erotismo. Drácula ficou mais ousado e, como nunca, o ato de sugar o sangue adquiriu contornos sexuais. Nos 70, com O Exorcista, de William Friedkin, o terror tornou-se explícito, gosmento, sangrento. E agora – num mundo em que a série Walking Dead virou fenômeno de massa, para onde vai o terror? Jigsaw, a mente por trás dos jogos mortais, transformou o terror num espetáculo de mutilações e decapitações. Nesse quadro, o que faz James Wan. Reinventa Chuck, o boneco assassino, e introduz Annabelle. Socorro! Pânico, premonição, atividade paranortmal? É hora de apagar as luzes.

O Belas Artes entra em clima de terror no Noitão desta sexta, 26. Tem filme surpresa – o que será? -, mas o que já está confirmado vale, como se diz, o crime. Sexta-Feira 13, o original de Sean Cunningham; Prelúdio para Matar, de Dario Argento; O Grito, de Takashi Shimizu; A Hora do Pesadelo, de Wes Craven; Horror em Amytiville, de Stuart Rosenberg; e A Volta dos Mortos-Vivos, de Dan O'Bannon. O último é o único que introduz o humor na sua trama. Uma empresa joga lixo tóxico num cemitério e desperta os cadáveres. Levas deles avançam sobre os vivos. Alimentam-se de cérebro humasno. Gritam, pateticamente, 'Brains! Brains!'

Depois de Sexta-Feira 13, Jason viveu mais onze vezes, um fenômeno. Com aquela máscara e o facão, transformou o Lago Crystal num dos lugares mais assombrados da Terra. Freddy Krueger não é menos assustador, irrompendo nos sonhos dos adolescentes com sua cara derretida e as unhas afiadas. Pois é a grande característica dessa tendência. O público jovem é o mais fiel consumidor de terror. Mas não é só esse cinema que é assustador. Querem outros exemplos? Aqui vão...

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