'No Vale das Sombras' faz autocrítica sobre a guerra

Filme encontra diálogo com o público norte-americano ao levar os efeitos da guerra para dentro de seus lares

Alysson Oliveira, da Reuters,

07 de novembro de 2029 | 11h20

Em seu segundo trabalho como diretor, o roteirista Paul Haggis mostra uma considerável evolução em relação ao seu filme de estréia, Crash - No Limite, que no ano passado surpreendeu ao arrebatar o Oscar na categoria principal.  Veja também:Trailer de 'No Vale das Sombras'No Vale das Sombras, que estréia nacionalmente nesta sexta-feira, 30, tem como temática a guerra do Iraque, mas da perspectiva daqueles que ficam nos Estados Unidos, esperando notícias dos filhos que lutam no exterior. Se em uma primeira leitura o longa é um filme de investigação policial, uma análise mais aprofundada encontra uma meditação melancólica sobre a guerra e um país cheio de problemas - no caso os EUA -, onde muitos de seus cidadãos ainda não tomaram consciência disso. Para entrar nessa abordagem, Haggis, que também assina o roteiro, vale-se do drama pessoal de uma família. Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) é um militar aposentado cujo filho deserta o exército após voltar do Iraque. Pouco depois, o corpo do rapaz é encontrado no deserto. O pai se une à detetive Emily Sanders (Charlize Teron) para investigar o crime. Por diversos motivos, entre eles o fato de ela ser mulher e jovem, Hank não confia muito em Emily e resolve fazer sua própria investigação. À medida que avança, tudo aquilo em que ele acredita - a pátria, o governo, o exército - começa a desmoronar. Pouco dado a sutilezas em seus roteiros, Haggis às vezes é excessivamente didático e tende a transformar os personagens em mártires sofredores. Não bastasse Emily ser mãe solteira, ela é a única mulher em seu departamento, tendo que lidar constantemente com o preconceito. A mulher de Hank (Susan Sarandon) também passa boa parte do tempo sofrendo à distância, esperando em casa por notícias sobre o filho. O filme encontra um diálogo com o público norte-americano ao levar os efeitos da guerra para dentro de seus lares, além de fugir do clichê preconceituoso de atribuir toda a culpa da crise iraquiana aos árabes. Haggis aponta que o grande problema dos EUA está dentro do próprio país - ou seja, para ele, a ameaça interna é maior e pior do que a externa. Já para o restante do mundo, No Vale das Sombras procura ser um lembrete de que nem todos os norte-americanos são favoráveis à atual política externa de seu país.

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