No segundo episódio da franquia, 'O Divã' deve estrear em janeiro

Em fase de pós-produção, filme tem agora como protagonista a atriz Vanessa Giácomo vivendo as aventuras de Mercedes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2014 | 22h27

 Sem Lília Cabral nem direção de José Alvarenga – O Divã 2, que acaba de ser filmado no Rio e está em plena fase de pós-produção para estrear em 8 de janeiro de 2015, corre o risco de não satisfazer a expectativa do público que espera continuar assistindo às aventuras de Mercedes.

A produtora Walkiria Barbosa, da Total Entertainment, que detém os direitos da franquia, está tranquila. “O divã é o verdadeiro protagonista da série. O primeiro filme nos proporcionou uma experiência muito feliz com o texto da Martha Medeiros e ficamos pensando em outras histórias que pudessem ter o mesmo plot, a mesma linguagem, que já inspirou grandes filmes internacionais.

Essas histórias de casais que fazem terapia para resolver problemas de relacionamento são ricas em observações humanas e situações engraçadas. Nossa ideia foi concentrar o foco num casal jovem, que vive os conflitos de hoje em dia.”

E Walkiria acrescenta – “Íamos fazer o filme com a Ísis Valverde, mas ela teve aquele acidente e não poderia cumprir nossas datas. Vanessa Giácomo não teve nenhum constrangimento em assumir o papel. Ísis teria feito muito bem, não duvido nem um pouco, por isso a queríamos. Mas a Vanessa está sendo surpreendente. Muito melhor que a encomenda. Essa menina é uma grande atriz. Quero filmar muito com ela.”

A cena que se filma neste dia – nesta noite – em que o repórter visita o set se passa no quarto do casal. A trama, para resumir rapidamente, parte do casal para o triângulo. Vanessa e Rafael Infante são casados. Uniram-se cedo demais, tiveram filho, cada um está imerso em seus compromissos profissionais.

A relação vai para as cucuias. Ambos recorrem ao divã do doutor Marcelo Serrado, que vai ter um affair com a cliente. A questão se ele está ferindo a ética profissional não é o mais importante na história. Vira até motivo para uma piada final, que é melhor não antecipar. Falta só meio ano – e uma Copa, uma eleição – para que todo mundo saiba se O Divã 2 tem fôlego para igualar e até superar os 2,5 milhões de espectadores do primeiro da série.

O próprio título O Divã 2 está sendo avaliado – a Total e suas parceiras, a Paris Filmes e a Downtown Filmes usam, provisoriamente, a designação de ‘franquia Divã’. A filmagem desta noite ocorre na chamada Mansão das Heras, localizada no Alto da Boa Vista, na Estrada do Açude, no Rio.

A casa – imensa – é uma locação que abriga diferentes cenários. O quarto do casal, o living da casa e até o consultório, com direito ao divã. A cena é típica da rotina de qualquer casal. Mamãe está lendo, papai está a fim de outra coisa. O clima é de vai não vai. Quando engrena, o filhote pula na cama fazendo bagunça. E o sexo fica para outro dia.

Vanessa está adorando o papel. Como a visita ao set foi feita há mais de um mês, é impossível não falar da novela Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, em que ela foi a vilã, Aline. Sua primeira vilã – “Sou tímida e morria de vergonha de fazer as cenas sensuais, mas minha maior dificuldade foi achar um tom para a Aline.

Já sabia no que ela ia virar, por causa da sinopse, mas houve toda uma evolução.” Sobre sua personagem no Divã, Eduarda, ela diz que tudo ocorreu rapidamente. “Adoro fazer cinema e, quando veio o convite, não pensei muito. É uma personagem de mulher moderna, dividida entre o amor, a casa e o trabalho. Qual mulher não enfrenta esses problemas? Faço uma médica, e precisei me informar para reproduzir direito algumas situações de trabalho, mas não são muitas.”

Como mãe, ela revela que se preocupa demais com a alimentação dos filhos. “Já que o trabalho me afasta deles invisto na qualidade do tempo que a gente passa junto.

Na época de Amor à Vida, eu não os deixava ver a novela. Eles não iam entender ver a mãe deles naquelas situações.” Rafael Infante, o marido, chama-se Marcos e é produtor musical. Não deixa de ser curioso assinalar que. no teatro, já fez Rain Man, ao lado de Marcelo Serrado.

Filho de psicóloga, Infante chegou a fazer análise na infância, mas o papel, claro, é totalmente fictício. “É ficção, mas a gente sempre põe alguma coisa. O Paulo (o diretor Paulo Fontenelle) deu espaço para que a gente inventasse. Vanessa e eu decidimos que ela seria virginiana e eu, geminiano.” Infante tornou-se conhecido por seus papéis no Porta dos Fundos. Seu nome virou sinônimo de humor, mas ele evita se colocar, automaticamente, na pele do cômico.

Rain Man tem momentos divertidos, mas não é uma comédia. Marcos também não é um personagem cômico, mas vive situações engraçadas. Embora não seja ele, entendo esse cara que se casou cedo demais e está buscando o jovem que não conseguiu ser.”

O diretor Paulo Fontenelle mostra no monitor algumas cenas que já filmou (e foram editadas). Possuem um tom particular, delicado e a câmera filma as conversas sempre de baixo, como num filme de Yasujiro Ozu. “Esse ângulo baixo é um diferencial. Falam tanto que as comédias são televisivas. Vamos ver o que vão dizer da nossa. Não creio que vá ser uma comédia para morrer de rir.

O humor está presente, mas é uma coisa mais romântica, dramática. Faço o filme que gostaria de ver.” A produtora Walkiria Barbosa, no meio da sala armada, banca a tímida. Baixa os olhos e diz – “É minha estreia na direção de arte. Esse cenário fui eu que fiz.” E acrescenta – “Para compor esse ambiente moderno e sofisticado, fiz uma súmula do design brasileiro contemporâneo.”

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