No novo filme de Angélica, criança não entra

A reviravolta começou no ano passado. Angélica completou 30 anos e avisou: "Cresci. Vou procurar um público mais adulto agora". Meteu-se na apresentação de um game adolescente e abandonou o jeito inocente e a voz de menina. Mesmo assim, há quem ainda olhe para ela como a loirinha de coxas roliças que cantava Vou de Táxi nos anos 80. "Parece que vai demorar um pouco para todo mundo perceber a mudança. Afinal, foram 15 anos com jeitinho de menina", diz. Quem ainda não se convenceu da transformação vai se surpreender com Um Show de Verão, filme que chega aos cinemas dia 30, pela Warner Bros, com direção de Moacyr Góes.Os menores de 12 anos estão proibidos de assistir. O mais novo filme de Angélica, quem diria, traz quatro cenas de nudez. Mas a apresentadora não participa delas, é claro. "Eu teria vergonha. Adoro fazer cinema, mas não quero aparecer nua. Não sou atriz profissional e nem pretendo seguir a carreira." Apesar das ousadias, o roteiro do filme é bem inocente. Algo parecido com Cinderela, o clássico infantil que já ganhou centenas de versões pelo mundo. "O tema já foi bem explorado, mas essa história sempre encanta."Angélica vive Andréa, uma mocinha pobre que se apaixona pelo rapaz rico (Thiago Fragoso). Mas o tal príncipe nada tem de encantado: é arrogante e mulherengo. Fred até gosta da garota, mas sente-se envergonhado por ela ser uma telefonista, ou melhor, "operadora de telemarketing", como ele gosta de dizer. Seu plano é transformá-la em uma cantora famosa. Antes de apresentar a namorada ao mercado musical, Fred decide repaginá-la, com direito a malhação pesada, tardes no cabeleireiro e comprinhas no shopping. Um roteiro de dar inveja a Richard Gere, aquele que transformou Julia Roberts em Uma Linda Mulher. A cena em que uma vendedora de loja (Iris Bustamante) despreza Andréa denuncia a clara inspiração no longa norte-americano. "Eu adoro Uma Linda Mulher, mas não quis copiar nenhuma história. Queríamos fazer um filme despretensioso e divertido", diz Angélica.O humor fica por conta de Márcia Cabrita, impagável como Lupe, amiga de Andréa. Ingrid Guimarães, na pele da perua Jaqueline também é certeza de diversão. Mas ninguém arranca mais risadas que Marcos Mion, o cabeleireiro gay Welmer. Ele fala pouco, mas seus trejeitos garantem a graça. O elenco contou com uma seleção, digamos, eclética: tem Tonico Pereira e Tony Tornado, passando por Zé do Caixão e Otávio Mesquita. Também participam os globais Carol Castro, Renata Pitanga e Sérgio Hondjakoff. A categoria dos não-atores está bem representada: doze bandas entraram no roteiro do filme, em forma de clipe, entre elas Jota Quest e Cidade Negra. Luciano Huck também não é ator. Mas está bem como Marcelo, o amigo de Fred encarregado de transformar Andrea em uma espécie de "Britney Spears nacional". O plano dá certo, mas o conto da Cinderela vai ganhar um final diferente: a moça abandona o príncipe rico para se casar com o plebeu bonzinho. Angélica e Huck ficam juntinhos - ao menos na telona.

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