No MAM, o cinema de Steven Spielberg

Depois de dirigir quase 30 filmes, Steven Spielberg é responsável por muitas das maiores bilheterias da história do cinema e por uma nova maneira de colocar a imaginação na tela. Na tela e na cabeça das pessoas. Ou será possível imaginar um extraterrestre sem lembrar daquele bonequinho feioso mas simpaticíssimo que encantou o mundo com E.T.? Ou se deparar com um tubarão, mesmo em um aquário, e não associá-lo aquele exagerado devorador de carne humana que aterrorizou o mundo com Tubarão? Para homenagear o cineasta americano, o Museu de Arte Moderna (MAM) montou uma pequena mas representativa mostra de seus filmes (confira a programação). Cinemam Spielberg, que começou ontem e vai até setembro, no anfiteatro do MAM com capacidade para 200 pessoas, exibe oito filmes (DVD em tela de cinema), e tem entrada gratuita.A programação obedece a uma seqüência cronológica. O primeiro foi Tubarão. Não é o primeiro filme de Spielberg, mas foi seu primeiro grande sucesso. Em pouco mais de um mês em cartaz nos EUA, o Tubarão do diretor devorou não só alguns banhistas de um aprazível balneário como o maior número de entradas de cinema da história. A seguir, na mostra do MAM, vem E.T, o Extraterrestre, feito bem depois de Tubarão, em 1982, quando o cineasta já se tornara um craque em contar fábulas no cinema. O bonequinho de pele marrom e oleosa como a de um lagarto chegava às telas para bater mais um recorde de bilheteria. Com A Cor Púrpura, Spielberg quis livrar-se da síndrome de Peter Pan e provar que sabia fazer também filmes adultos. O que ele conseguiu nessa história de uma negra em busca de sua dignidade foi levar platéias inteiras a chorar feito criança nas poltronas.Em Império do Sol, ele vê o pior do mundo adulto, a guerra, pelos olhos de um menino. O tema guerra começava a obcecar Spielberg nessa época, e ele acaba enfrentando suas próprias resistências, sua origem judaica, e filma A Lista de Schindler, um de seus melhores filmes, sobre o holocausto. Com Amistad ele voltou ao tema da discriminação dos negros. E em AI, Inteligência Artificial ele volta ao futuro para contar a fábula de uma espécie de Pinóquio robótico. A mostra do MAM termina com o ótimo Prenda-me se For Capaz, uma prova da versatilidade do mestre Steven Spielberg.

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