No limite do politicamente correto, 'Copa de Elite' satiriza filmes

Longa parodia produções nacionais mais bem-sucedidas dos últimos anos

Reuters

16 de abril de 2014 | 15h51

É preciso ter certa coragem para realizar cinema-paródia no Brasil, nestes tempos em que piadas viram alvo, não de risadas ou sorrisos amarelos, mas de repúdio e processos de particulares.

No debate sobre o que divide o politicamente incorreto da franca ofensa, comediantes ficam em meio a uma insegurança jurídica que, quando não os cala, os deixa à mercê de um massacrante julgamento público e penas legais.

Daí se entende a cautela confessa da produtora Mayra Lucas e do diretor Vitor Brandt, quando apresentaram o filme Copa de Elite durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo. Questionados sobre possíveis receios, foram muitos espontâneos e abertos ao dizer que, sim, tomaram cuidados e deixaram algumas piadas potencialmente conflituosas na ilha de edição.

Afinal, além de parodiar as produções nacionais mais bem-sucedidas dos últimos anos (Bruna Surfistinha, Dois Filhos de Francisco, Chico Xavier, Minha mãe é uma Peça), em especial Tropa de Elite, também usam como pano de fundo a Copa do Mundo no Brasil, tema de discussão política ardente às vésperas do campeonato.

Mas, por vontade própria e não por pressão, o diretor (que também assina o roteiro com Pedro Aguilera) não tinha qualquer intenção de mexer num vespeiro. Queria uma comédia aos moldes das realizadas por Mel Brooks, como SOS - Tem um Louco no Espaço (1987), ou de David Zucker, e seu spin-off do seriado de TV Police Squad, o Corra que a Polícia Vem Aí, que evidenciou o ator Leslie Nielsen.

Na história criada por Brandt e Aguilera, Jorge Capitão (Marcos Veras) é um capitão do Batalhão de Operações Policiais (BOP, porque perderam o "E" de "Especiais" por incompetência). Celebrado por seus feitos ousados, cai em desgraça por salvar o craque argentino Lionel Messi de um sequestro, às vésperas do jogo final entre Argentina e Brasil na Copa.

Expulso da corporação e ridicularizado publicamente, Capitão recebe pistas de um complô para matar o papa Francisco, que veio ao país para acompanhar a partida. Como não pode contar com seu batalhão, ele se vê obrigado a aceitar a ajuda de uma dona de sexshop, Bia Alpinistinha (Julia Rabello), para prender o criminoso, que se disfarça de palhaço.

Embora não se trate de uma comédia muito sofisticada, porque, aqui, nada é sutil, o filme tem como mérito desbravar um gênero que não se vê no cinema nacional. Ainda pretende provar que é possível rir de si mesmo, a começar pelo ator Bruno de Lucca, que interpreta a si próprio numa produção que o torna motivo de chacota.

Com participações especiais de Rafinha Bastos, Babu Santana, Bento Ribeiro, Antonio Pedro, Thammy Miranda e da cantora Anitta, Copa de Elite quer agradar ao público na faixa dos 30 anos. Se conseguir, pode abrir espaço para produções similares, o que já será um grande feito para esta produção.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

             

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