Paris Filmes
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No filme ‘Sol’, o tempo aumenta o abismo familiar entre pai e filho

Em seu segundo longa de ficção, a diretora Lô Politi volta a investigar o que se esconde dentro do universo masculino

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

26 de outubro de 2021 | 20h00

Depois de Jonas, seu primeiro longa de ficção, a diretora Lô Politi volta a investigar o universo masculino em Sol, que estreia hoje, às 20h30, na 45.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “Sempre acho fascinantes histórias de pai e filho, principalmente entre homens, porque tem muito do não dito”, explicou Politi em entrevista ao Estadão, por videoconferência.

O personagem principal é Theo (Rômulo Braga), que recebe em sua casa sua filha Duda (Malu Landim), hoje morando fora com a mãe, depois de um ano de distância. Ele tem dificuldade de se relacionar com a menina. É então que ressurge em sua vida seu pai, Theodoro (Everaldo Pontes), que não vê desde menino. Theo acaba indo com Duda para o sertão da Bahia. “Ele é obrigado a ir atrás de entender essa desconexão com o pai para daí conseguir se conectar com a filha”, disse a diretora.

O grande vilão da história é o tempo. Sua passagem faz com que qualquer reaproximação ou reconciliação vá ficando mais difícil. Sobram a culpa e a vergonha. A secura do sertão era importante para representar esse sentimento – não por acaso, a lembrança que Theo tem de Theodoro é feliz e se relaciona com a água. “O Theo simbolicamente vai para o deserto, enfrenta o deserto que virou a alma dele, um deserto de afeto mesmo”, contou a diretora, que filmou na Bahia, um Estado com que tem uma relação especial. 

Ela mergulhou naquele universo, primeiro para procurar locações, depois com os diretores de fotografia e arte, em seguida com a equipe e, por fim, para filmar. O resultado foi um álbum de fotografias destrinchando lugares, personagens, sensações e sentimentos, que serviu como guia. “Se você está superpreparada, presta atenção na mágica do set. Em um filme de sutilezas, de não ditos, é extremamente importante. Foi um processo maravilhoso, adoraria fazer sempre assim.”

Depois de dois filmes centrados em homens, sua próxima ficção será dedicada a uma mulher, a cantora Gal Costa, no período entre 1967 e 1971. “Foi muito bom passar a pandemia mergulhada naquele universo maravilhoso da Tropicália. Era um período pesado da ditadura, mas eles foram uma explosão de cor, talento, música”, disse Politi, que codirige com Dandara Ferreira. 

Outros destaques do dia

Ahed’s Knee

Vencedor do prêmio do júri do Festival de Cannes, acompanha um cineasta israelense que chega a um vilarejo isolado para apresentar um de seus filmes (Espaço Itaú Augusta 1, 13h30).

 

Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Mistura de animação com stop motion conta a história do velho punk Bob Cuspe, que tenta escapar de seu purgatório mental. Inspirado em personagens criados pelo cartunista Angeli (Espaço Itaú Augusta 1, 16h).

 

Urubus

Trinchas comanda um grupo de pichadores que escala os edifícios mais altos de São Paulo, recordista em pichações, para deixar sua marca (Vão Livre do Masp, 19h30, gratuito). 

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