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No filme 'O Último Cine Drive-in', o triunfo é da humanidade sobre a perfeição

Premiado, filme tem um encanto especial; confira a crítica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo; Cinema

20 Agosto 2015 | 05h00

No escritório de O Último Cine Drive-in, existem cartazes de diversos filmes. O Poderoso Chefão, o clássico de Francis Ford Coppola, o primeiro da série, pode muito bem estar ali como uma homenagem a Marlon Brando, que ganhou seu segundo Oscar pelo papel, e o protagonista da história de Iberê Carvalho, chama-se justamente Marlonbrando. Outro cartaz evoca As Invasões Bárbaras e, na ficção de Iberê, há uma personagem que é paciente terminal de câncer, num hospital, como no filme de Denys Arcand.

Nenhuma dessas referências é essencial para a compreensão do filme, mas estão lá como afagos do diretor no imaginário do cinéfilo, como afagos no próprio imaginário, porque todos esses filmes, e outros - Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore -, são muito vivos na lembrança de Iberê. Ele conta, na entrevista, que O Último Cine Drive-in nasceu de seu desejo de falar sobre família. Só depois veio o amor pelos filmes, e pelo cinema. O drive-in resiste como cinema em Brasília. Inclusive, ontem à noite, quarta-feira, o diretor realizou a pré-estreia brasiliense do filme no espaço que lhe serviu de cenário.

O Último Cine Drive-in é daqueles filmes que, se você quiser procurar os defeitos, vai encontrar. E daí? Na arte como na vida, se o filme propõe algum elogio, é o da imperfeição. Sempre foi assim no cinema brasileiro, e não por complexo de inferioridade. A chanchada instituiu uma estética da paródia e o bandido da luz vermelha anunciava, profético - “Quem tem sapato, não vai sobrar.” O filme de Iberê começa contando a história de amor de um filho pela mãe. Marlonbrando procura atendimento para a mãe terminal no hospital de Brasília. E porque está na cidade, sozinho, desamparado e talvez sem recursos, ele busca o pai, que possui o drive-in.

Há um difícil acerto de contas entre os dois - entre Breno/Marlonbrando e seu pai, criado pelo mítico Antônio das Mortes de Glauber Rocha, Othon Bastos. Mais que o amor pelo cinema, o filme transmite o amor pelas pessoas. A síntese desse movimento é a aproximação de Marlonbrando da projecionista que ocupou seu lugar na casa e no coração de Othon Bastos. Algo se passa na segunda metade de O Último Cine Drive-in, e está na origem do encantamento que o filme provoca.

Uma fuga e uma sessão de cinema que talvez não seja a derradeira, como na obra-prima de Peter Bogdanovich, A Última Sessão de Cinema, mas um recomeço. Breno e Fernanda Rocha, a projecionista - mulher do diretor na vida -, ganharam Kikitos e são admiráveis. Mas o filme ganhou também melhor direção de arte para Maíra Carvalho, irmã da diretor (“Ela não é diretora de arte porque é minha irmã e, sim, porque é grande”, ele brada), e prêmio da crítica. Considerando que o da crítica, na mostra latina, foi para o pior da competição - La Salada -, o de Cine Drive-in, apostando na humanidade mais que na perfeição, foi um bálsamo. 

Leia também: ‘O Último Cine Drive-in’ chega aos cinemas com os prêmios que ganhou no Festival de Gramado

Confira o trailer de 'O Último Cine Drive-in'

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