No Festival do Rio, italiano Sebastiano Riso denuncia indústria da adoção

No Festival do Rio, italiano Sebastiano Riso denuncia indústria da adoção

Cineasta foi agredido em seu país e afirma que está sendo silenciado

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2017 | 16h47

RIO - E o Festival do Rio termina neste fim de semana. Neste domingo, 15, serão conhecidos os vencedores da mostra competitiva Première Brasil. Na quinta, passou o último concorrente de ficção – Unicórnio, de Eduardo Nunes, baseia-se em duas histórias de Hilda Hilst. O diretor é o mesmo de Noroeste – todas as idades de uma mulher, do nascimento à morte, em um único dia e em suntuoso preto e branco. Nunes propõe agora uma fábula, e em cores deslumbrantes. Uma garota e seu pai, a mãe, um estranho. O mesmo tempo introspectivo de Noroeste, outro filme delicado de Nunes.

Sílvia Cruz, cuja empresa – a Vitrine – distribui Unicórnio, é a produtora de Invisível, longa do argentino Pablo Giorgelli, de Las Acacias. Uma garota de 17 anos, que trabalha numa pet shop, descobre estar grávida do dono. Ela tenta seguir com a rotina, mas seu mundo implode. Giorgelli filma a invisibilidade social, e como disse ao repórter tenta se manter, ele mesmo, invisível como diretor. Invisível é o mais minimalista dos filmes. Nenhum efeito, nenhuma firula. O rádio fica despejando notícias ruins – e a gente não vê nada. Os professores da protagonista falam, e a gente também não os vê. Invisível estreia em novembro. Prepare-se. É forte.

Festival do Rio: 'Como É Cruel Viver Assim' é destaque na Première Brasil

O italiano Sebastiano Riso está no Rio para acompanhar a exibição de seu longa Uma Família no Foco Itália. O filme integrou a competição de Veneza, em setembro. Era o único filme italiano de temática social no evento. A indústria da adoção – uma mulher masoquista, seu amante dominador que a engravida, um filho atrás do outro, para vender os bebês. Michaela Ramazzotti é uma atriz excepcional, Patrick Bruel representa contra sua imagem. Riso é gay assumido. Com o companheiro, tentou fazer uma adoção, que a lei não permite. Mas ele diz que não fez o filme em causa própria. Fez porque a história real mexeu com ele.

“Pertenço à primeira geração de cineastas que estão fazendo filmes após os 30 anos de ditadura de (Sílvio) Berlusconi”, ele conta. A sociedade está entorpecida, alienada. “É como dar murro em ponta de faca.” Desde Veneza, a direita tem feito o que pode para silenciá-lo. Riso foi vítima de uma agressão dentro de sua casa. Foi parar no hospital. Ainda respira com dificuldade, o olho treme (e a visão está turva). Mas ele não se intimida. “É preciso falar”, diz.

Mais conteúdo sobre:
Festival do Rio [cinema]

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.